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	<title>Espalha-Factos &#187; Gonçalo Trindade</title>
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		<title>Toy Story 3: Gente Pequena com Coração Grande</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jul 2010 09:00:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gonçalo Trindade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
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		<description><![CDATA[Pode-se dizer que Toy Story 3 é um prodígio técnico, que tem um argumento genial, que o elenco está espectacular (tanto na versão original quanto na portuguesa), e que o filme é, de facto, o melhor do ano até agora. Até se pode elogiar o filme por todas as suas referências cinematográficas, e pela forma exemplar como trabalha todos os seus cenários onde decorre a acção (jardim infantil de dia, campo de concentração à noite; genial). Mas é impossível explicar de forma específica o sentimento de gratidão, de felicidade e de satisfação com que se sai da sala de cinema após os créditos finais. O fim desta história (sim, é mesmo o fim) chegou, e não poderia ser melhor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Não é preciso um génio para fazer um filme como <strong><em>Toy Story 3</em></strong>. Nem dois, nem três. Nem quatro. São antes precisos centenas de pequenos génios para conseguir fazer algo assim, um filme tão perfeito tanto a um nível visual quanto a nível de argumento; um filme repleto de tantos pequenos e geniais pormenores que, com cada visionamento, há algo novo a descobrir. Mais vale, portanto, confirmar já o óbvio: sim, <strong><em>Toy Story 3</em></strong> é genial em todas as suas vertentes, sendo tanto a perfeita sequela como o melhor capítulo de uma trilogia que, muito possivelmente, ficará na história. A <em>Pixar</em> não acertou apenas; a equipa de <strong>Lasseter</strong> e companhia simplesmente superou-se.</p>
<p style="text-align: justify;">É impossível proclamar <strong><em>Toy Story 3</em></strong> como o melhor filme da <em>Pixar</em> porque, por esta altura, no meio de tantos grandes filmes (e todos eles geniais à sua própria maneira), não é possível indicar apenas um único favorito. Adoro tanto aquela sequência inicial de <strong><em>Up</em></strong> tanto quanto adoro aquele sorriso final de Sully em <strong><em>Monstros e Companhia</em></strong>; adoro tanto o voo de Wall-E e de<em> </em>EVE<em> </em>pelo espaço quanto adoro a cena em que Remy observa Paris do cimo de um telhado. No meio de tantos grandes e memoráveis filmes, ter apenas um favorito é impossível. Posso, pessoalmente, dizer que tenho talvez uma preferência por <strong><em>Up </em></strong>e por este <strong><em>Toy Story 3</em></strong>, mas faço-o com um nó na garganta; afinal de contas, são todos tão bons.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas posso dizer que, em certos aspectos, <strong><em>Toy Story 3</em></strong> é, a meu ver, o melhor da <em>Pixar</em>. O mais complexo, o mais bem executado e, acima de tudo, o mais emocionalmente adulto. Este é, sem sombra de dúvida, o filme mais negro do estúdio até agora, onde as suas personagens são realmente levadas ao extremo, ao abismo da existência. Há aqui momentos realmente fortes, que lidam com sentimentos de abandono, tristeza e até desespero. Tudo isso para, no final, se ver com lágrimas nos olhos algumas das mais belas lições de vida que, muito provavelmente, alguma vez se viu no cinema de animação. Lealdade, família, aceitar as mudanças da vida&#8230; ideais universais, tanto quanto a própria história em si. <strong><em>Toy Story 3</em></strong> é, de facto, um filme emocionalmente fortíssimo, com alguns dos momentos mais comoventes que o espectador verá em muito tempo.</p>
<p><img src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/Toy-Story-3-1.jpg" alt="" width="551" height="309" /></p>
<p style="text-align: justify;">A própria premissa parece, por si só, rodeada de um certo tom emocionalmente mais negro: Andy está prestes a ir para a faculdade e os brinquedos são obrigados a lidar com o simples facto de já não serem precisos. Acabam doados para um jardim infantil versão campo de concentração (referências cinéfilas absolutamente geniais, principalmente a <strong><em>The Great Escape</em></strong>), dominado por um dos melhores vilões da <em>Pixar</em> até agora (com uma <em>backstory</em> absolutamente magnífica), e todo o filme tem piscadelas de olho a todos os géneros desde <em>westerns</em>, ficção-científica (claro!) e, como já se viu, aqueles espectaculares filmes da Segunda Guerra Mundial onde o <strong><em>Steve McQueen</em></strong> é o herói de serviço. Há aqui referências que qualquer cinéfilo irá adorar, várias homenagens dos cineastas aos filmes que os inspiraram (ahh, aquela espectacular cena a imitar o melhor momento do <strong><em>Regresso do Jedi</em></strong>!). Mas há, além desse amor dos cineastas pelo próprio Cinema em si, um profundo, profundo amor pela história que é contada e, acima de tudo, pelas personagens.</p>
<p style="text-align: justify;">Em<strong><em> Toy Story 3</em></strong> tudo parece planeado ao pormenor. Não há outras palavras: o filme é genial do primeiro ao último segundo. Literalmente. Aliás, logo no início há um golpe de génio, uma montagem que transmite a mais pura nostalgia aos que cresceram com estes filmes; ou para todos os que, simplesmente, já foram crianças. A partir daí instala-se um clima urgente e denso, onde os brinquedos são obrigados a lidar com o abandono daquele a quem sempre foram leais. Esta situação, absolutamente inevitável (o final de <strong><em>Toy Story 2</em></strong> deixava, efectivamente, a porta aberta para tudo o que se vê neste terceiro capítulo), é o cerne de um terceiro capítulo que termina de forma rigorosamente perfeita uma história com a qual crescemos. Há aqui temáticas universais e adultas que são exploradas tanto de forma a comover os mais velhos como a ensinar valiosas lições aos mais novos (e aos mais velhos também, já agora). Quem gosta minimamente dos dois primeiros filmes terá aqui lágrimas garantidas, algumas delas acompanhadas por um grande sorriso.</p>
<p><img src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/ToyStory3-6.jpg" alt="" width="535" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">O que torna <strong><em>Toy Story 3</em></strong> no mais complexo e brilhantemente executado filme da <em>Pixar</em> (a meu ver) é, portanto, a forma como o filme nunca, nunca se acobarda. Sim, todos os filmes da <em>Pixar</em> têm momentos emocionalmente fortíssimos, mas aqui grandes temas são tratados como tal. Existem aqui realmente cenas muito fortes, que irão surpreender (pela positiva) quem for à espera de apenas uma comédia. Há, em particular, uma cena toda ela tão genial, tão incrivelmente bem pensada, tão visualmente magnífica e tão profundamente comovente que no final dá vontade de aplaudir e, por esse momento só, dar nota máxima ao filme. Mas a verdade é que, se essa cena se destaca, há um rol de outros grandes momentos a destacar; porque o filme é, realmente, uma obra de génio do início ao fim.</p>
<p style="text-align: justify;">Este tom emocionalmente mais complexo do filme é, talvez, a mais forte marca de autor do filme. <strong><em>Lee Unkrich</em></strong>, aqui estreante como realizador a solo, quis realmente criar um filme mais forte, quis realmente levar os brinquedos ao extremo (como ele próprio o diz no artigo já aqui publicado) de forma lhes ensinar, a eles e também ao público, verdadeiras lições de vida. O filme é, afinal de contas, todo ele sobre Woody, a grande personagem da trilogia, e sobre a sua aceitação das mudanças que esta nova situação traz. O cerne moral e emocional da trilogia revela-se aqui: <strong><em>Toy Story</em></strong> é sobre infância (e a sua perda), sobre amizade e a sua importância, e sobre lealdade para aqueles que mais interessam. É, talvez, um filme sobre a importância da família; neste caso, a irmandade formada por um grupo de brinquedos que, ao longo de três filmes, aguentaram com muita coisa.</p>
<p style="text-align: justify;">E, claro, se a nível de argumento o filme é genial, então visualmente falando temos aqui o melhor que a <em>Pixar</em> fez até agora. Tudo parece espantosamente real e credível, ao mesmo tempo mantendo a cor e o sentimento presente no aspecto visual dos dois primeiros filmes. O uso das cores, a iluminação, cada pequeno objecto&#8230; eis um filme repleto de tantos pequenos grandes detalhes que merece realmente ser visto mais que uma vez. Talvez o mais espantoso seja, aqui, as expressões faciais de Buzz e companhia; tão expressivas, tão flexíveis, tão reais. O que se vê aqui não são brinquedos: são apenas gente pequena com corações bem maiores que grande parte da gente grande que se vê nos outros filmes. E nem o 3D parece a mais; sim, é inútil e não se destaca particularmente em nenhum momento, mas consegue a proeza de não tirar cor ou nitidez ao filme. Era de preferir a versão 2D, claro, mas, ainda assim, neste caso nem nos podemos queixar muito&#8230; a não ser do preço.</p>
<p><img src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/toy_story_3_andy.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">É difícil falar de <strong><em>Toy Story 3</em></strong>. É-o sempre quando um filme nos toca tanto a nível emocional. Poderia fazer aqui um enorme discurso sobre a proeza técnica que é todo o filme, sobre a genialidade da realização em alguns planos que têm mais Cinema que 90% dos filmes que vimos nos bons últimos anos. E, por isso só, o filme seria magnífico. Mas <strong><em>T</em><em>oy Story 3</em></strong> não é apenas muito bom, nem apenas magnífico: é uma Obra-Prima absoluta. É emocionalmente complexo, tem um argumento perfeito e um ritmo todo ele bem definido do início ao fim (acontece tanta coisa que o filme parece até ter mais que hora e meia), e é, simplesmente, uma grande história, com grandes personagens, contada de forma igualmente grandiosa. Quem gostou dos outros dois irá adorar este; quem não gostou, sairá convertido. É uma história universal com valores que falam a qualquer um, e não é por nada que se ouve falar de tanta gente que sai do filme em lágrimas. Não é um filme para adultos, não é um filme para crianças; não é um filme para quem gosta de cinema de animação nem para quem não gosta de cinema de animação; é, apenas, um filme para quem já foi ou é criança, para quem aspira a ser minimamente um ser humano decente. Ou seja, é um filme para qualquer um.</p>
<p style="text-align: justify;">É impossível explicar por palavras o quão belo é <strong><em>Toy Story 3</em></strong>. Posso dizer que, tendo já visto o filme nos três visionamentos de imprensa feitos, ainda me comovo só de pensar em determinados momentos. Quando um filme é assim tão bom e nos toca tão fundo, é impossível explicar porque é que o faz. É essa a beleza do Cinema e da Arte: não pode ser explicada. Como bem se diz na bela curta que antecede o filme (com um dos mais inovadores usos do 3D visto até agora): as coisas mais belas são as mais misteriosas.</p>
<p style="text-align: justify;">Pode-se dizer que <strong><em>Toy Story 3 </em></strong>é um prodígio técnico, que tem um argumento genial, que o elenco está espectacular (tanto na versão original quanto na portuguesa), e que o filme é, de facto, o melhor do ano até agora. Até se pode elogiar o filme por todas as suas referências cinematográficas, e pela forma exemplar como trabalha todos os seus cenários onde decorre a acção (jardim infantil de dia, campo de concentração à noite; genial). Mas é impossível explicar de forma específica o sentimento de gratidão, de felicidade e de satisfação com que se sai da sala de cinema após os créditos finais. O fim desta história (sim, é mesmo o fim) chegou, e não poderia ser melhor. <strong><em>Toy Story 3</em></strong> é não só o melhor dos três filmes, como cria uma trilogia coesa e magistral. Há aqui mais emoção, mais cinema, mais beleza, mais lágrimas e sorrisos que em qualquer outro filme de imagem real que tenha passado até agora pelas nossas salas este ano. <strong><em>Toy Story 3</em></strong> é, apenas, puro, perfeito, arrebatador Cinema. E, como qualquer filme perfeito e grandioso, é, de certa forma, inexplicável. <strong><em>Toy Story 3</em></strong> é uma Obra-Prima absoluta, e isso apenas pode ser sentido, não explicado.</p>
<p style="text-align: justify;">Afinal de contas, a <em>Pixar</em> pôs-nos a chorar num filme sobre brinquedos; como é que alguma vez se poderá explicar tal feito?</p>
<p><strong>10/10</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p>Título original: <strong><em>Toy Story 3</em></strong><br />
Realizado por: <strong>Lee Unkrich</strong><br />
Escrito por: <strong>Michael Arndt</strong><br />
Elenco: <strong>Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Michael Keaton <strong>e</strong> Ned Beatty.</strong><br />
Duração: <strong>103 minutos</strong>.</p>
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		<title>&#8220;Tentamos criar histórias universais&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 00:19:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gonçalo Trindade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[Lee Unkrich e Darla K. Anderson, respectivamente realizador e produtora de Toy Story 3, estiveram em Portugal e promover o mais recente filme da Pixar. O Espalha-Factos entrevistou individualmente cada um deles, numa conversa que incidiu não só sobre Toy Story 3 mas também sobre a Pixar e as mudanças que esta trouxe ao cinema de animação. ESTE ARTIGO NÃO CONTÉM QUALQUER TIPO DE SPOILERS EM RELAÇÃO A TOY STORY 3.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Darla K. Anderson</strong> é uma mulher sorridente, alegre, e transpira a confiança esperada de alguém que trabalha com um dos maiores estúdios actualmente a nível mundial. <strong>Lee Unkrich</strong> é simpático, mais sério, e tem nos olhos aquele brilho de criança eterna  que seria de esperar de alguém que faz um filme como <strong><em>Toy Story 3</em></strong>. Foi de tarde que falei com eles, após uma conferência de imprensa dada de manhã no Hotel da Lapa, onde se falou de forma muito geral daquilo que cada um viria mais tarde a ter a oportunidade de aprofundar com cada uma destas mentes criativas.</p>
<p style="text-align: justify;">É, claro, uma honra poder entrevistar estes dois nomes. <strong>Unkrich</strong>, realizador de <strong><em>Toy Story 3</em></strong> (a sua estreia a solo, depois de ter co-realizado <strong><em>Toy Story 2</em></strong>,  <em><strong>Monstros e Companhia</strong></em> e <em><strong>À Procura de Nemo</strong></em>) está na <em>Pixar</em> praticamente desde o seu início e <strong>Anderson</strong> acompanhou a companhia ao longo de todo o seu crescimento, tendo produzido <em><strong>Uma Vida de Insecto</strong></em>, <strong><em>Monstros e Companhia</em></strong>, <strong><em>Carros</em></strong> e, agora, <em><strong>Toy Story 3</strong></em>.  Estiveram ambos presentes no início da companhia e, aliás, foi a própria <strong>Anderson </strong>que, ao ver pela primeira vez algumas das curtas de <strong>John Lasseter</strong> em Siggraph, feira dedicada de animação digital, decidiu que queria trabalhar para a Pixar.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;<em>Apaixonei-me por completo pela animação digital e na altura, ainda nos anos oitenta, senti-me muito atraída pela Pixar porque era realmente a única companhia a fazer algo com personagens e a contar histórias. As restantes companhias faziam efeitos visuais, logotipos para empresas, e a Pixar era realmente a única a fazer quase como que uns mini-filmes. Senti-me logo atraída pela companhia e decidi que queria trabalhar para eles</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;">E se a <em>Pixar </em>começou com as suas famosas curtas-metragens, <strong><em>Toy Story</em></strong>, a primeira longa da companhia, mudou tudo, tendo sido o primeiro filme de um género que hoje domina por completo a animação. Depois desse primeiro filme, a <em>Pixar </em>não parou. Acompanhar esse crescimento deve ter sido, realmente, algo único. &#8220;<em>Foi incrível, absolutamente incrível, ver a companhia crescer tanto, e custa acreditar que já passou tanto tempo.</em>&#8221; diz <strong>Anderson</strong>. &#8220;<em>Quando comecei na Pixar tínhamos só cerca de vinte pessoas na produção e ver agora todo este sucesso, toda esta paixão pelos nossos filmes&#8230; é realmente algo muito recompensador. E bastante irreal, também. Este é mesmo o tipo de sucesso com o qual nem se pode sonhar. E é também por isso que fazemos um filme de cada vez, tentando que cada filme seja realmente o melhor possível. É nisso que somos bon</em>s&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/amelhor.jpg" alt="" width="480" height="360" /></p>
<p style="text-align: justify;">Já <strong>Unkrich</strong>, nem era sequer para ter ficado na <em>Pixar</em>. Foi contratado em regime temporário, e o trabalho que deveria ter sido seu por apenas algumas semanas acabou por se transformar na sua vida. &#8220;<em>Nunca pensei que isto viesse a acontecer. Originalmente fui contratado por apenas quatro semanas, e se na altura me dissessem que ainda lá estaria dezasseis anos depois, e que realizaria uma sequela do filme para o qual fui originalmente contratado&#8230; provavelmente não acreditaria. É mais uma prova do quão louca e imprevisível a vida pode ser</em>&#8220;, diz o realizador com um sorriso.</p>
<p style="text-align: justify;">Os primeiros dois <strong><em>Toy Story</em></strong> são filmes adorados por uma geração inteira e voltar a pegar na história e nas personagens que, afinal de contas, começaram tudo, foi uma pressão enorme. &#8220;<em>O projecto foi todo ele uma coisa gigantesca e extremamente complicada. Eu sabia bem que tinha uma grande tarefa à minha frente, que tinha um grande lugar por ocupar, e não queria desiludir ninguém. Não queria fazer um filme em que as pessoas vissem e dissessem &#8220;Porque é que fizeram outro? Para quê sequer o trabalho?</em>&#8221; <em>e sabia que havia um grande risco de isso acontecer. Simplesmente queríamos contar uma boa história de que as pessoas gostassem, e nunca tivemos qualquer tipo de garantias. Trabalhámos um dia de cada vez, demos o máximo para que tudo fosse o melhor possível</em>&#8220;. E a pressão foi ainda maior por ser esta a estreia de <strong>Unkrich </strong>como realizador a solo&#8230;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;<em>Sabia bem que a responsabilidade de não estragar tudo estava sobre os meus ombros. Quando o </em><strong><em>John Lasseter</em></strong><em> me pediu para realizar o filme, foi muito específico: não queria que tivesse co-realizador e que o fizesse sozinho. Ele achava que eu tinha sido o herói esquecido pode detrás de muitos filmes da Pixar, que tinha contribuído muito para os outros filmes  e que nunca tinha recebido o crédito merecido. Por isso, quis dar-me esta oportunidade de fazer um filme completamente a solo. Eu sabia fazer imensas coisas, mas havia outras coisas que realmente não sabia como fazer. Mas simplesmente agarrei a oportunidade e tudo acabou por resultar bem</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/4.jpg" alt="" width="467" height="350" /></p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim, toda a experiência correu melhor do que o esperado. &#8220;<em>Houve muita disciplina e, não sei bem porquê, mas tudo correu muito bem ao longo do filme. Deve ter a ver com o facto de grande parte da equipa ter trabalhado também nos outros dois filmes&#8230;</em>&#8221; diz <strong>Anderson</strong>, abordando também o facto de, após tantos anos desde o primeiro filme, a evolução tecnológica ser uma faca de dois gumes. &#8220;<em>Tivemos de nos concentrar muito em manter o aspecto dos primeiros dois filmes; após tantos anos, a tecnologia evoluiu imenso e foi muito importante que o filme não parecesse demasiado tecnológico e encaixasse bem dentro do univers</em>o&#8221;. Após tantos anos, e com a evolução da tecnologia, como fazer um filme <strong><em>Toy Story</em></strong> que parecesse actual mas que, ao mesmo tempo, conseguisse encaixar nos capítulos anteriores a um nível visual?</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;<em>Tivemos imensas reuniões sobre isso</em>&#8220;, diz <strong>Unkrich</strong>. &#8220;<em>Sabíamos que o filme tinha de ter o mesmo sentimento que os filmes anteriores, mas ao mesmo tempo para mim era muito importante que isso não prejudicasse o filme. Queria que o </em><strong><em>Toy Story 3</em></strong><em> tivesse um aspecto tão belo quanto os nossos filmes mais recentes, claro. Acho que o </em><strong><em>Ratatouille</em></strong><em>, em particular, é simplesmente lindíssimo. O que acabámos por fazer foi manter-nos muito próximos da forma como as coisas eram feitas no filme anterior; a forma como eram criadas as personagens, a mobília, os cenários&#8230; tentámos manter-nos fiéis a esse design mas usando texturas mais sofisticadas, novos tipos de iluminação, de forma a tornar tudo mais real e credível. Gosto de pensar que o </em><strong><em>Toy Story 3</em></strong><em> tem o aspecto que o primeiro </em><strong><em>Toy Story</em></strong><em> teria se  tivéssemos na altura a tecnologia que temos agora.</em>&#8220;</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/melhor-2.jpg" alt="" width="482" height="360" /></p>
<p style="text-align: justify;">Toda esta dimensão digital deste género de filmes acaba, claro por dificultar a sua produção; afinal de contas, tudo é criado de raiz. &#8220;<em>Como produtora</em>&#8221; explica <strong>Anderson</strong>, &#8220;<em>a grande diferença entre trabalhar num filme de animação digital e a de trabalhar num filme em imagem real é que na animação não há cenário físico&#8230; temos de construir tudo. Cada personagem, cada cenário, cada objecto, cada pormenor tem de ser criado por nós. E isso torna tudo muito exaustivo, claro. Mas o resto, a forma como filmamos e contamos a história, é praticamente igual a um filme em imagem real</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;">E o mais importante nos filmes da<em> Pixar </em>sempre foi, claro, a história. Como bem diz <strong>Unkrich</strong>, o objectivo com <strong><em>Toy Story 3</em></strong> era o de contar uma história que cativasse o público. A premissa do novo filme parece em tudo uma tentativa também de acompanhar o público que viu o primeiro filme quando foi lançado, há quinze anos atrás; afinal de contas, a história de <strong><em>Toy Story 3</em></strong> é em tudo sobre crescimento&#8230; Andy cresceu, vai para a faculdade, e os brinquedos tornaram-se obsoletos. Curiosamente, essa ideia de que grande parte do público se identificaria com a história nunca passou pela cabeça do realizador.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;<em>Para ser honesto, quando tivemos a ideia de mandar o Andy para a faculdade nunca nos passou pela cabeça o facto de que muita gente cresceu a ver o filme e que muitos estariam agora a ter a mesma experiência. Apenas parecia a história certa a contar. Até que, a meio da produção, eu comecei a usar o Twitter e de repente começo a receber mensagens constantes de imensa gente a dizer que se identificava imenso com a história, que tinham crescido a ver os filmes e a falar do importante que o </em><strong><em>Toy Story</em></strong><em> era para elas. Apercebo-nos que foi até um benefício o facto de termos tido de esperar tanto tempo para fazer o </em><strong><em>Toy Story 3</em></strong><em>, e que assim a relação com o público era mais forte. Nunca foi algo que fizemos de forma consciente, mas que torna o filme muito mais especial. Acabámos por abranger um público muito maior do que esperávamos</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Toy Story 3</em></strong> é o filme mais rentável da <em>Pixar </em>até agora, o mais bem recebido pela crítica e é, de facto, um verdadeiro triunfo a todos os níveis. Todo este sucesso tem a ver também com o que<strong> Unkrich</strong> diz: a ligação filme-público é, de facto, fortíssima. Ao ver <em><strong>Toy Story 3</strong>,</em> qualquer um que viu o primeiro filme aquando a sua estreia irá sentir um forte sentimento de nostalgia em vários momentos ao longo do filme. É, afinal de contas, um reencontro com as personagens que adoramos. Mas se <strong><em>Toy Story 3</em></strong> é um filme tão bom (e é mesmo), é-o também por uma aura mais adulta que pauta todo o filme. Andy cresceu, vai-se embora, e os brinquedos têm de lidar com o facto de, simplesmente, já não serem precisos. <strong><em>Toy Story 3</em></strong> é, de certa forma, um filme sobre deixar a infância&#8230; e a forma como a própria infância lida com esse abandono. Este é, de longe, o filme mais adulto e até mais negro da Pixar. Aqui, as coisas realmente ficam difíceis.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/darla.jpg" alt="" width="390" height="260" /></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;<em>Bem, nunca quisemos fazer um filme mais negro e acho que quando dizes negro referes-te mais ao facto de ser, em certas alturas, realmente muito intenso e emocionalmente muito forte. Esses elementos já existiam nos outros dois filmes, mas aqui o que eu quis realmente foi fazer uma história que fosse emocionalmente verdadeira. Queria terminar a história, queria que este fosse o último </em><strong><em>Toy Story</em></strong><em> e, na minha mente, parte de fazer isso é realmente levar os brinquedos até ao fim, colocá-los perto do fim da sua existência de forma a ensiná-los o que é importante na vida. Por isso a partir do momento em que decidi isso, quis ser o mais fiel possível a essa ideia. E é verdade, o filme tem realmente cenas muito, muito intensas mas acho que as pessoas gostam disso porque não o esperam. Quando uma pessoa vai ao cinema ver uma comédia, não espera propriamente algo assim emocionalmente tão forte.</em>&#8220;</p>
<p style="text-align: justify;">E a verdade é que toda esta densidade emocional que rodeia o filme torna-o não só sobre o próprio espectador (aqueles ideias de amizade, lealdade e família são algo com que qualquer um se identifica), mas também sobre a própria pessoa que o faz. &#8220;<em>Acho que os filmes são, colectivamente, muito sobre nós, sobre a equipa que os faz. Quando vejo hoje em dia o primeiro </em><strong><em>Toy Story </em></strong><em>vejo nele muita coisa do </em><strong><em>John Lasseter</em></strong><em>, do </em><strong><em>Pete Docter</em></strong><em>&#8230; todos nós temos um pequeno papel nos filmes, e isso acaba por se reflectir. Há coisas no </em><strong><em>Toy Story 3</em></strong><em> que se referem directamente a mim, claro. Em pequeno eu tinha medo de bonecas e, por exemplo, no filme quis realmente transmitir isso: nem todos os brinquedos são agradáveis</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;">Ou seja, os filmes da <em>Pixar</em> são filmes de animação feitos por adultos com alma de criança&#8230; como todos temos, aliás. Hoje em dia, já não há o preconceito de que o cinema de animação é só para crianças e o público da companhia abrange, de facto, todos os géneros. Se houve uma altura em que pais iam com sacrifício levar os seus filhos ao cinema para ver um filme de animação, isso parece estar agora a mudar. Um preconceito que começa a desaparecer, portanto.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/lee.jpg" alt="" width="400" height="267" /></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;<em>Ainda estamos a trabalhar nisso</em>&#8220;, diz <strong>Unkrich</strong>. &#8220;<em>Tentamos criar histórias universais. Sei bem que nunca faremos um filme para maiores de dezoito, por exemplo; um filme dirigido apenas a um tipo de público.  É esse o nosso mandamento, o de fazer esse tipo de filmes universais. O </em><strong><em>John</em></strong><em> (</em><strong><em>Lasseter</em></strong><em>) definiu esse rumo e acho que será sempre isso o que faremos</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Toy Story 3</em></strong> é o final de uma história, o final de uma trilogia que, agora, merece sem dúvida o estatuto de &#8220;clássico&#8221;. Visualmente incrível (nem o 3D rouba qualidade ao filme!) e emocionalmente poderosíssimo, nota-se que há realmente muito amor em cada plano, cada linha de diálogo, cada cena.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;<em>Agora que olho para o filme, vejo que fizemos realmente o melhor que podíamos ter feito. Estou bastante satisfeito</em>&#8220;, diz <strong>Unkrich</strong>. Opinião partilhada por <strong>Anderson,</strong> que olha para mim e diz que &#8220;<em>é óptimo ter, por exemplo, aqui alguém como tu, que cresceu com o </em><strong><em>Toy Story</em></strong><em>, a dizer que gosta deste filme. És parte o meu público-alvo, do público que mais quero agradar. Pessoalmente, estou muito, muito satisfeita com o filme. Acho que não poderia ter sido melhor</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Toy Story 3</strong> é um extraordinário triunfo em todas as suas vertentes. Quem era fã da saga e da<em> Pixar</em> irá adorar; quem não era sairá convertido. O que aqui temos é, como bem o disse <strong>Unkrich</strong>, um filme universal, uma história que apela a todos. &#8220;<em>Fazer cada um destes filmes é um compromisso. São quatro longos anos, e temos mesmo de acreditar na história que estamos a contar e nunca desistir. &#8216;Tenacidade&#8217; é o lema a seguir, sem dúvida</em>&#8220;, diz <strong>Anderson</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Nota-se em <strong><em>Toy Story 3</em></strong> esse compromisso, essa fé no que se faz. A equipa até agora nunca falhou&#8230; e, como era de esperar, não foi desta. E, mais uma vez, o estúdio superou-se a si mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Toy Story 3</em></strong> estreia esta Quinta-Feira; a crítica ao filme será publicada nesse mesmo dia.</p>
<span class="sfforumlink"><a href="http://www.espalha-factos.com/efforum/cinema/tentamos-criar-historias-universais-entrevista-com-lee-unkrich-realizador-de-toy-story-3-e-a-darla-k-anderson-produtora">Comenta no fórum</a> - (1) Posts</span>]]></content:encoded>
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		<title>Inception &#8211; A Origem: Um Sonho de Blockbuster</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 17:42:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gonçalo Trindade</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Inception é um grande filme não só pelas incríveis set pieces e pelos altíssimos valores de produção que transparecem em cada cena: é um grande filme porque tem, acima de tudo, grandes ideias. O grande filme de entretenimento do ano chegou, e é das obras mais artisticamente notáveis que veremos todo o ano.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quando <strong><em>O Cavaleiro das Trevas</em></strong> saiu, lembro-me de o terem chamado de &#8220;<em>blockbuster</em> inteligente&#8221;. Lembro-me de ter sido um sucesso de bilheteira absolutamente esmagador, de ter sido um dos melhores filmes do ano, de ter sido nomeado aos Óscares, e lembro-me também de ser, apesar de tudo, um <em>blockbuster</em>; um filme supostamente comercial e feito por um grande estúdio, portanto. E era-o, de facto&#8230; mas não foi por isso que deixou de ser tudo aquilo que disse atrás e também talvez um dos mais fascinantes <em>thrillers</em> policiais que a década nos trouxe (<strong>Michael Mann</strong> ficaria tão, tão orgulhoso). <strong>Christopher Nolan</strong> fez, portanto, um pequeno milagre: um filme que apelou às massas não com entretenimento fácil mas antes com um engenhoso argumento interpretado por fabulosos actores (Óscar merecido para <strong>Ledger</strong>). <strong><em>O Cavaleiro das Trevas</em></strong> foi um filme inteligente, sério, que apesar destas características conseguiu ser um dos maiores sucessos do ano tanto a nível artístico como a nível comercial; uma grande produção que aspirava não só a grandes cenários e a grandes cenas de acção: aspirava também a grandes ideias e a grandes personagens. E chegava lá.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é, portanto, assim tanto de admirar que Nolan volte agora a fazer o mesmo naquela que é, a todos os níveis, a mais ambiciosa produção cinematográfica do ano. <strong><em>Inception</em></strong> é um grande filme não só pelas incríveis <em>set pieces</em> e pelos altíssimos valores de produção que transparecem em cada cena: é um grande filme porque tem, acima de tudo, grandes ideias. O grande filme de entretenimento do ano chegou, e é das obras mais artisticamente notáveis que veremos todo o ano. E, mais uma vez, as palavras <em>&#8220;blockbuster&#8221;</em> e &#8220;inteligente&#8221; podem ser usadas ao lado uma da outra.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/inception-2.jpg" alt="" width="464" height="309" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Inception</em></strong> não será, talvez, o filme que muitos querem. É, afinal de contas, acima de tudo um filme de acção; um <em>heist movie</em> onde uma determinada equipa tem de executar uma missão. O filme rege-se pelas regras do género mas, tal como seria de esperar de <strong>Nolan</strong>, leva-as a um nível totalmente novo. Eis um filme orquestrado até ao mais ínfimo pormenor, onde o espectador é sugado do início ao fim para um mundo complexo e onde tudo decorre a um ritmo absolutamente vertiginoso; <strong><em>Inception</em></strong> começa a abrir, e nunca abranda. Quem esperar um filme que aposta mais numa vertente psicológica sairá, muito provavelmente, desiludido. O filme pode dar-nos a volta à cabeça, sim, mas mais com o seu ritmo frenético e com as suas complexas reviravoltas que propriamente com diálogos calmos e inteligentes. Mais uma vez, repito: <strong><em>Inception</em></strong> começa a abrir, e não abranda. Nunca.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem esperar entretenimento simples e sem grandes pretensões deverá procurar noutro sítio. &#8220;Ambição&#8221; é aqui a palavra-chave, e este é um filme onde os grandes valores de produção foram usados no desenvolvimento de grandes conceitos e de grandes ideias. Nolan pega em nós e leva-nos para o seu próprio mundo, onde sonhos são criados dentro de sonhos, onde o subconsciente humano (onde, claro, tudo pode acontecer) é palpável e real, e onde as geurras podem ser travadas não com bombas ou armas mas com ideias plantadas na mente do adversário. Falar da trama de <strong><em>Inception</em></strong> é estragar o prazer de descobrir todas aquelas grandes, grandes ideias que Nolan trouxe do papel (foi ele mesmo que escreveu o argumento) ao ecrã. Eis aquele que é, talvez, um dos filmes mais ambiciosos do cinema contemporâneo; grandes meios usados em grandes ideias.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez seja este o filme em que <strong>Nolan</strong> mostra bem o quão bom pode ser como realizador e o quão imaginativa é a sua mente. A fotografia é magnífica e o filme visualmente é um espanto na forma como cria os seus cenários absolutamente grandiosos que acabam eles próprios por se mover e interagir com as personagens (aquela cena sem gravidade é das coisas mais espectaculares que veremos em muito, muito tempo); engane-se quem espera muitos efeitos visuais&#8230; aquela cena que vemos no trailer da cidade a dobrar-se sobre si mesma acaba por reflectir o próprio filme em natureza, sim, mas aqui tudo parece real e feito de forma quase manual. Os efeitos visuais estão lá, sim, mas de forma subtil à excepção de uma ou outra cena. Tudo parece real e palpável&#8230; e tendo em conta que este é um filme que lida com o subconsciente humano (cujo potencial é infinito), creio que dá para ter bem uma ideia do nível de produção e ambição que se pode encontrar no filme.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/inception-5.jpg" alt="" width="492" height="329" /></p>
<p style="text-align: justify;">E se o elenco parece fenomenal, é porque é mesmo. <strong>DiCaprio</strong> carrega o filme às costas com a sua complexa personagem, sobre a qual todo o filme se centra, e dá mais uma espectacular interpretação depois de ainda este ano nos ter brindado com um magnífico trabalho em <strong><em>Shutter Island</em></strong>; <strong>Marion Cotillard</strong> está&#8230; bem, perfeita; <strong>Joseph Gordon-Levitt</strong> tem tanto carisma que devia ser crime, e capta a atenção do espectador sempre que entra em cena; <strong>Tom Hardy</strong> transpira estilo por todos os poros, e a sua personagem é realmente das mais cativantes que vemos no ecrã; e <strong>Ken Watanabe</strong> quase que sai do filme como um novo herói de acção. Apenas <strong>Ellen Page</strong> está meramente decente, não se destacand em nenhum aspecto em particular; algo normal, já que a sua personagem serve, em grande parte, apenas como guia do espectador não só pelo filme mas, também, pela própria mente da personagem de <strong>DiCaprio</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">A fotografia? Fenomenal, tal como já o era em <em><strong>O Cavaleiro das Trevas</strong></em>. A banda-sonora? Das melhores que veremos este ano, facilmente o melhor trabalho de <strong>Hans Zimmer</strong> nos bons últimos anos. O argumento? Complexo, mas coeso e sem falhas; basta ao espectador prestar atenção, e tem ali tudo o que precisa de saber. O filme é perfeito? Não. Falha, talvez, a nível dramático. As personagens secundárias não são muito desenvolvidas e cenas nas quais Nolan tenta, obviamente, criar grande impacto dramático acabam por acertar um pouco ao lado.  O equilíbrio entre criar este grande universo e entre contar uma história com personagens emocionalmente afectivas acaba por nem sempre ser alcançado. O espectador rala-se com a personagem principal e interessa-se com toda a sua história, mas momentos que poderiam ser realmente grandiosos a um nível emocional nunca o chegam realmente a ser. Ainda assim, aquela cena final consegue comover o espectador, e esta é apenas uma pequena falha num filme que consegue realmente agarrar o espectador em todos os aspectos.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/INCEPTION-005.jpg" alt="" width="447" height="268" /></p>
<p style="text-align: justify;">O que dizer de <strong><em>Inception</em></strong>? Que é um filme raro na forma como é uma grande produção com grandes e originais ideias por trás? Que todos os actores estão óptimos? Que é o filme que mais entretenimento proporcionou este ano, e que o faz de forma inteligente e nunca superficial? Que tem duas horas e meia mas que, com aquele ritmo vertiginoso (tão, tão bem gerido), mais parece ter noventa minutos? Que a última hora de filme é toda ela um grandioso, incrível e épico <em>clímax</em> como não víamos há muito, muito tempo? Falar de <strong><em>Inception</em></strong> é útil apenas se for para convencer alguém a ir vê-lo. Certamente não agradará a todos (tal como já disse, não será o filme que muitos querem que seja e quem procurar entretenimento fácil terá mesmo de procurar noutro sítio), mas é um filme único que deve ser visto por todos. Tenho feito aqui no Espalha-Factos críticas a praticamente todos os <em>blockbusters</em> que têm saído este Verão; <strong><em>Iron-Man 2</em></strong>, <strong><em>Prince of Persia</em></strong>, <strong><em>Robin Hood</em></strong>, etc&#8230; e em todos me queixo de falta de ideias, de serem filmes genéricos. Nolan fez com todo o dinheiro que lhe deram algo que mais ninguém se atreveu a fazer: usou-o nas suas próprias ideias, nos seus próprios conceitos e foi ambicioso ao ponto de tentar criar a mais memorável, original e inteligente grande produção do ano. E foi bem sucedido. <em><strong>Inception</strong></em> é um grande filme de acção assente em novas ideias, onde cada <em>setpiece</em> se liga à que vem a seguir e onde cada linha de diálogo contém algo de importante. É um filme tão bem orquestrado, tão bem criado e pensado, que dá realmente vontade de bater palmas. Este é não só o filme com um dos maiores orçamentos do ano, é também o que tem com as maiores ideias. É divertido, é frenético, é inteligente, e é um triunfo artístico. <strong>Nolan</strong> acredita e aposta naquilo que tantos estúdios e cineastas renegam: um <em>blockbuster</em> pode não ser só uma grande produção, pode ser também um grande filme. O rapaz prodígio voltou, fez-nos acreditar novamente, e trouxe consigo o mesmo que da outra vez: uma magnífica obra de arte. <strong><em>Inception </em></strong>é, simplesmente, do melhor que veremos este ano em sala.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>9/10</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>Ficha Técnica</strong></p>
<p>Título original: <strong><em>Inception</em></strong><br />
Realizado por: <strong>Christopher Nolan</strong><br />
Escrito por: <strong>Christopher Nolan</strong><br />
Elenco: <strong>Leonardo DiCaprio, Marion Cotillard, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Tom Hardy e Ken Watanabe.</strong><br />
Duração: <strong>147 minutos</strong>.</p>
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		<title>O Escritor Fantasma: Puzzle de Mestre</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 14:26:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gonçalo Trindade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[Sem dúvida um dos melhores do ano até agora, O Escritor Fantasma  é um filme que foi obviamente feito por alguém com a experiência e o talento de um mestre. Não é perfeito (demora, talvez, demasiado tempo a arrancar), mas lá perto caminha, e é de longe dos filmes mais entusiasmantes e energéticos que podemos ver nas nossas salas de cinema de momento. Tudo significa algo, cada cena é uma peça e cada personagem é um peão: eis um filme que é como um verdadeiro puzzle de paranóia e claustrofobia, onde o espectador é verdadeiramente sugado à medida que cada peça lentamente encaixando no sítio. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><em>O Escritor Fantasma</em></strong>, o novo filme de <strong>Roman Polanski</strong>, é um excelente <em>thriller</em> não tanto pelas óptimas interpretações, nem pela magnífica fotografia, nem pela banda-sonora que assenta ao milímetro no tom do filme; é um dos melhores filmes do ano porque está, simplesmente, construído de uma forma rigorosamente magistral.</p>
<p style="text-align: justify;">O filme começa simples, quase <em>light</em>, e acaba complexo e com o espectador agarrado à cadeira. Ao início a história parece directa, nada de mais, sem grandes temáticas&#8230; mas tudo se vai desenrolando de forma tão calculada e perfeita que quando dá por si o espectador está a meio do filme paralisado e ansioso por saber mais e sem fazer a mínima ideia do que se poderá passar a seguir. Isto sim, é um bom <em>thriller</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">A premissa é simples: <strong>Ewan McGregor</strong> (exemplar, numa bela interpretação) é um escritor fantasma que aceita o trabalho de acabar de escrever as memórias do antigo primeiro ministro britânico (<strong>Pierce Brosnan</strong>, aqui a usar a sua presença e carisma na perfeição), apenas para lentamente começar a descobrir que nada é o que parece.É impossível ir além disto sem falar de algum pormenor importante à trama, dada a forma coesa e rígida com que tudo foi construído. Em <strong><em>O Escritor Fantasma</em></strong> tudo acontece por alguma razão.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/ghostwriter3.jpg" alt="" width="499" height="331" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Polanski</strong> criou realmente um<em> thriller</em> exemplar em todos os aspectos, moderno mas com aura clássica. Cada personagem tem a sua importância, cada linha de diálogo o seu objectivo, e cada cena parece lentamente encaixar num todo. Tudo isto resulta de forma perfeita também muito graças a um elenco absolutamente genial. <strong>Brosnan</strong> (que tem menos tempo de antena que aquele que seria de esperar) tem uma presença imponente e por vezes assustadora, exactamente o necessário para a personagem que interpreta; <strong>McGregor</strong> está perfeito num misto de ingenuidade e puro desejo de saber a verdade, interpretando um herói que é, na realidade, apenas um homem atirado para o meio de uma situação que não consegue controlar; e pelo meio ainda há <strong>Kim Catrall</strong> (sim, a do <strong><em>Sexo e a Cidade</em></strong>) surpreendente, interpretando de forma espectacular uma personagem muito diferente daquilo a que estamos habituados a ver dela, e <strong>Tom Wilkinson</strong> num dos mais ameaçadores papéis da trama, que em pouco tempo de antena consegue criar alguns dos melhores momentos do filme (uma cena de diálogo, em particular, é um dos pontos mais altos de todo o filme). Até <strong>James Belushi</strong> está óptimo!</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/ghost-writer-2.jpg" alt="" width="484" height="308" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Polanski</strong> é um grande contador de histórias e este filme é exemplo disso mesmo: <strong><em>O Escritor Fantasma</em></strong> é acima de tudo uma história espectacularmente bem contada do início ao fim, crescendo lentamente ao longo de duas horas de duração. A paranóia da personagem principal acaba por, a certo ponto, afectar o espectador, que fica sem saber em quem confiar nem o que poderá suceder a seguir. Todo o filme vai lentamente construindo uma camada de tensão, medo e paranóia que consegue prender quem está de fora da tela, que fica com as unhas pregadas à cadeira sem fazer a mínima ideia do que fazer a seguir. E depois há aquele final, claro; genial em todos os aspectos, e uma das melhores cenas que veremos este ano nas nossas salas.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem dúvida um dos melhores do ano até agora, <strong><em>O Escritor Fantasma</em></strong> é um filme que foi obviamente feito por alguém com a experiência e o talento de um mestre. Não é perfeito (demora, talvez, demasiado tempo a arrancar), mas lá perto caminha, e é de longe dos filmes mais entusiasmantes e energéticos que podemos ver nas nossas salas de cinema de momento. Tudo significa algo, cada cena é uma peça e cada personagem é um peão: eis um filme que é como um verdadeiro puzzle de paranóia e claustrofobia, onde o espectador é verdadeiramente sugado à medida que cada peça vai lentamente encaixando no sítio. Com este filme e com os que virão em breve (<strong><em>Inception</em></strong>, <strong><em>Toy Story 3</em></strong>&#8230;)Parece que o Verão está, finalmente, a melhorar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>9/10</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
</strong></p>
<p><strong>Ficha Técnica</strong></p>
<p>Título original: <strong><em>The Ghost Writer</em></strong><br />
Realizado por: <strong>Roman Polanski</strong><br />
Escrito por: <strong>Robert Harris e Roman Polanski</strong>, baseado no livro de <strong>Robert Harris</strong><br />
Elenco: <strong>Ewan McGregor, Kim Catrall, Pierce Brosnan </strong>e<strong> Tom Wilkinson.</strong><br />
Duração: <strong>128 minutos</strong>.</p>
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		<title>Shrek Para Sempre: Final Infeliz</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Jul 2010 09:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gonçalo Trindade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[Poucas ideias, trama absolutamente banal, humor em doses muito mais fracas que nos restantes, e personagens que parecem estar a enfeitar; a saga termina com o filme mais fraco da saga. O pouco que há a dizer bem vai para o final do filme, que consegue dar alguma emoção à obra, usando bem todo o afecto que o espectador sente pelas personagens que acompanhou durante estes últimos anos. Este é, ao que parece, mesmo o final da saga. E, infelizmente, com um final destes as saudades não serão muitas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A saga Shrek é uma saga infeliz. Começou bem, continuou bem, depois piorou, e agora termina com um filme francamente medíocre que revela uma notável e triste falta de ideias. <strong><em>Shrek Para Sempre </em></strong>é uma obra feita por alguém em piloto-automático que simplesmente não sabia o que mais fazer. A própria premissa parece, por si só, bastante fraca: Shrek é enganado a assinar um acordo mágico que faz com que o mundo fosse como se este nunca tivesse nascido. O que é isto? <strong><em>It&#8217;s a Wonderful Life </em></strong>versão ogre? A premissa parece dum episódio duma série, e não dum filme. E acaba por ser isso mesmo: <strong><em>Shrek Para Sempre </em></strong>tem ideias que talvez dessem para um bom filme, sim&#8230; se o filme fosse apenas de meia-hora.</p>
<p style="text-align: justify;">É verdadeiramente uma pena que uma saga que começou tão bem acabe desta forma. Não se pedia, claro, o melhor filme da saga; pedia-se apenas um filme minimamente digno. E <strong><em>Shrek Para Sempre</em></strong> não chega de forma alguma a esse patamar. A originalidade dos dois primeiros filmes perdeu-se num filme formulaico e previsível. As personagens já nada têm muito a fazer, e até o pouco potencial que podia haver (o Gato das Botas está gordo, a Fiona é uma guerreira, e o Burro&#8230; o Burro não precisa de nada para ter graça) foi totalmente desperdiçado, e o quarto filme da saga acaba por se perder numa narrativa sem grande interesse ou coesão. De facto, o filme é em si muito fragmentado, sendo este o capítulo que mais tem a ver com Shrek e menos com as outras personagens. Ou seja, menos humor do Burro, menos carisma do Gato das Botas, e cada personagem além da principal parece estar lá para mero enfeite. As poucas novas personagens apresentadas pouco interesse têm, e o vilão deste capítulo, Rumpelstiltskin, é sem a menor dúvida o menos interessante de toda a saga (tal como tudo o resto&#8230;).</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/shrek_forever_after-4_08.jpg" alt="" width="472" height="301" /></p>
<p style="text-align: justify;">Além do visionamento de imprensa, estive também na ante-estreia do filme (a fazer cobertura, garanto que não tinha grande intenção de ver o filme pela segunda vez&#8230; mas lá acabou por ser) e a reacção do público, constituído por pais e filhos na sua maia maioria, foi fria. Poucos risos, e os que se ouviram bem fracos foram. Para uma suposta comédia para toda a família, isto não é bom sinal.</p>
<p style="text-align: justify;">E há que mencionar também aquele <em>3D</em>. Mal usado, por vezes desfocando a imagem. Se o <em>3D </em>não é óbvio nem muito usado, então ao menos que não desfoque a imagem. Esta tentativa de fazer render da Dreamworks foi um verdadeiro tiro no pé (<em><strong>Toy Story 3</strong></em><strong>,</strong> que estreará em breve, é um bom exemplo de um <em>3D </em>que não diminui a qualidade da imagem).</p>
<p style="text-align: justify;">Não há muito a dizer sobre <strong><em>Shrek Para Sempre</em></strong> porque o filme simplesmente não tem muito sobre que dizer. Poucas ideias, trama absolutamente banal, humor em doses muito mais fracas que nos restantes, e personagens que parecem estar a enfeitar; a saga termina com o filme mais fraco da saga. O pouco que há a dizer bem vai para o final do filme, que consegue dar alguma emoção à obra, usando bem todo o afecto que o espectador sente pelas personagens que acompanhou durante estes últimos anos. Este é, ao que parece, mesmo o final da saga. E, infelizmente, com um final destes as saudades não serão muitas. Eis um exemplo de uma saga que começa bem e acaba mal. Para uma história que desde o início quis ser uma sátira ao conceito de fábula, bem podiam ter dado ao menos um final feliz.</p>
<p><strong><strong>3/10</strong></strong></p>
<p><strong><strong><br />
</strong></strong></p>
<p><strong><strong>Ficha Técnica</strong><br />
Título original: <strong><em>Shrek Forever After</em></strong> Realizado por: <strong>Mike Mitchell</strong><br />
Escrito por: <strong>Josh Klausner</strong> e <strong>Darren Lemke</strong><br />
Elenco: <strong>Mike Myers, Eddie Murphy, Cameron Diaz, Antonio Banderas Walt Dohrn.</strong><br />
Duração: <strong>93 minutos</strong>.</strong></p>
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		<title>Eclipse: Céu Estrelado com Lua Cheia</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 23:00:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gonçalo Trindade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
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		<description><![CDATA[Chegou aquele que é, para muitos, o filme mais aguardado do ano. Após o monumental sucesso dos primeiros dois capítulos, chega agora o terceiro filme da saga Twilight. A promoção faz-se há meses, os fãs estão em pulgas, e o trio amoroso regressa agora para saciar a vontade aos devotos. O Espalha-Factos já viu Eclipse, que estreia amanhã nos cinemas portugueses: podes ler aqui a crítica ao filme.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Chegou aquele que é, para muitos (mesmo muitos), o filme mais aguardado do ano. Após o monumental sucesso dos primeiros dois capítulos, chega agora o terceiro filme da saga <strong><em>Twilight</em></strong>. A promoção faz-se há meses, os fãs estão em pulgas, e o trio amoroso regressa agora para saciar a vontade aos devotos.</p>
<p style="text-align: justify;">Não sou, de forma alguma, um fã de <strong><em>Twilight</em></strong>. Não li nenhum dos livros, gostei do primeiro filme e detestei o segundo. Efectivamente, <strong><em>Lua Nova</em></strong> era um filme onde nada acontecia, sendo o ritmo inexistente e o argumento desprovido de coesão. Depois de um bom início com <strong><em>Crepúsculo</em></strong>, um exemplo de bom entretenimento feito com sensibilidade, <strong><em>Lua Nova</em></strong> destruiu todo o possível potencial da sequela. Com um novo realizador, a saga regressa e pomos a pergunta: É este regresso melhor ou pior do que já foi feito? A resposta é simples: <strong><em>Eclipse</em></strong> é, muito facilmente, o melhor filme da saga até agora.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/eclipse-1.jpg" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align: justify;">Este é, surpreendentemente, o melhor <em>blockbuster</em> deste Verão até agora (<strong><em>Kick-Ass </em></strong>não se enquadra propriamente na categoria). Este novo filme da saga <strong><em>Twilight</em></strong> é bem ritmado, com melhores interpretações que os filmes anteriores (até <strong>Pattinson </strong>chega a parecer um actor&#8230; às vezes), com um argumento bem estruturado do início ao fim e algumas magníficas sequências de acção, inexistentes nos capítulos anteriores. <strong><em>Eclipse</em></strong> mantém um bom nível de qualidade do início ao fim, entretendo o espectador com uma história interessante para contar e culminando num clímax para o qual tudo se vai encaminhando desde o início.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto que <strong><em>Lua Nova</em></strong> não ia a lado nenhum, com uma trama desinteressante e um ritmo desigual, o novo filme sabe para onde vai e chega lá muito bem. O desenvolvimento do trio amoroso Bella (<strong>Kristen Stewart</strong>), Jacob (<strong>Taylor Lautner</strong>) e Edward (<strong>Robert Pattinson</strong>) é bem explorado, desenvolvendo as personagens e afastando-se do romantismo lamechas que por vezes de forma tão irritante invadia o segundo capítulo. O filme pega finalmente em todo o potencial existente na saga e usa-o. Boas cenas de acção entre vampiros e lobisomens? Uma boa exploração da rivalidade entre as duas espécies? Uma maior exploração da escolha de Bella entre querer ou não ser transformada em vampira e o que isso implica? Uma exploração realista e directa da relação ambígua entre Jacob e Bella? Está aqui tudo, de forma linear, directa, num argumento bem estruturado que se apoia ainda em bons secundários, com alguns vislumbres do passado da família de Edward a ajudar no aprofundamento de personagens que, caso contrário, seriam meramente decorativas. Estas personagens, principalmente do elenco principal mais experiente, ajudam a criar um filme bem alicerçado e sustentável, depois do desaire do segundo filme, que me deixou as expectativas bem baixas. É ainda de louvar <strong>Bryce Dallas Howard</strong>, que aqui substitui na perfeição<strong> Rachele Lefevre</strong> no papel de Victoria.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/eclipse-2.jpg" alt="" width="500" height="332" /></p>
<p style="text-align: justify;">Em <strong><em>Eclipse</em></strong> vemos a primeira grande surpresa do ano. E esta surpresa deve-se, acima de tudo, a  um nome – <strong>David Slade</strong>, um realizador mais audaz e talentoso que o enfadonho <strong>Chris Weitz</strong> e que com persistência conseguiu levar este pesado navio a um bom porto. É difícil não gostar deste filme, que irá agradar na perfeição tanto aos fãs que deliram com a dupla Pattinson /Stewart como aos espectadores casuais desejosos de ver um mero filme de entretenimento. O resultado final resulta, acima de tudo, graças a uma excelente mistura entre drama e romance de boa categoria e sequências de acção que realmente conseguem entusiasmar.</p>
<p style="text-align: justify;">As duas horas não são demais e o filme passa a correr, graças a um ritmo pautado por alguém que realmente parece ter talento para o assunto. <strong>Slade</strong>, que realizou o magnífico <strong><em>Hard Candy</em></strong>, sabe bem o que quer fazer… e fá-lo: um blockbuster sério e bem concebido, que explora bem as personagens e as suas relações, que agarra o espectador com a sua trama e as suas bem criadas<em> setpieces</em>. É sem dúvida, o filme que mais se rege por uma história contada do início ao fim, oferecendo um certo sentimento de conclusão e resolvendo algumas das várias questões que já se arrastavam desde o primeiro filme. Ficam, claro, ainda algumas pontas por atar, visto faltarem dois filmes para a saga terminar.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/5.jpg" alt="" width="500" height="391" /></p>
<p style="text-align: justify;">Para além disso, este filme faz valer o seu maior orçamento e tudo parece  mais profissional e tecnicamente superior aos capítulos anteriores, não se encontrando cenas risíveis como a da subida à árvore de Edward no primeiro filme (só faltava mostrarem os fios&#8230;). Com mais efeitos visuais que os seus predecessores (os lobisomens, em particular, estão muito melhores, e a batalha que acontece no final está realmente bem encenada) e com cenas que jamais teríamos imaginado nos anteriores filmes, <strong><em>Eclipse</em></strong> resulta como blockbuster de veia dramática, mantendo-se fiel ao espírito de romance adolescente do universo, aqui muito mais adulto e bem trabalhado, sendo facilmente acessível a qualquer um que não seja fã acérrimo da saga graças à trama que é, toda ela, bastante bem trabalhada.</p>
<p style="text-align: justify;">Óbvio que o filme se encontra longe da perfeição: Lautner, Stewart e Pattinson são ainda actores limitados que, apesar de aqui convencerem muito mais (certamente graças a uma boa direcção de actores), por vezes parecem ainda muito <em>verdes</em> para este tipo de papel. Algo que talvez consigam melhorar no próximo filme. Há ainda todo aquele estranho grupo de personagens que são a família Volturi, interpretados por um grupo de actores que agem de forma irritante e exagerada em vez de intimidativa, como pede o filme. Mete pena ver <strong>Dakota Fanning</strong><strong> </strong>a fazer isto. Felizmente, é apenas um mal menor se compararmos isto com a destruição maciça que foi <strong><em>Lua Nova</em></strong>.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/1.jpg" alt="" width="491" height="335" /></p>
<p style="text-align: justify;">Num pequeno resumo: <em><strong>Eclipse</strong></em> é o melhor filme da saga até agora, dos melhores blockbusters lançados até ao final do primeiro semestre de 2010, e uma fonte de bom entretenimento. Muitos irão, certamente, criticá-lo da mesma forma que criticam a saga, baseando-se não tanto nos filmes em si mas mais no histerismo que estes provocam. Admito que isso também a mim me passa completamente ao lado, e não entendo o porquê de toda a adoração à volta desta saga. Mas um filme, seja ele qual for, deve ser avaliado pelo filme que é e não pelos seguidores que tem; e a verdade é que <strong><em>Eclipse</em></strong> é, realmente, um bom filme que pode facilmente ser apreciado por qualquer um. O que aqui temos é, afinal de contas, entretenimento de boa qualidade (e, acima de tudo, entretenimento com o coração no sítio certo). Os fãs vão adorar&#8230; e os restantes também não sairão nada arrependidos da sala de cinema.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>7.5/10</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ficha Técnica</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Título original: <strong><em>The Twilight Saga: Eclipse</em></strong><br />
Realizado por: <strong>David Slade</strong><br />
Escrito por: <strong>Melissa Rosenberg</strong>, baseado no livro de <strong>Stephenie Meyer</strong><br />
Elenco: <strong>Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Peter Facinelli, Xavier Samuel e Bryce Dallas Howard.</strong><br />
Duração: <strong>124 minutos</strong>.</p>
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		<title>Príncipe da Pérsia: Doces Miragens</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2010 21:50:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gonçalo Trindade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo, continua a onda de fracos blockbusters que anda agora a assolar as salas de Cinema. Não é que o filme seja mau (não é), mas apenas acaba por parecer tão formatado e superficial que, uma hora após ver o filme, o espectador provavelmente já nem se lembrará de nada do que viu. Talvez seja esse o propósito de um blockbuster: ser apenas um aglomerado de efeitos especiais e grandes cenas de acção com uma história banal pelo meio, um filme igual a muitos outros que passam pelas nossas salas. Mas, se assim for, não será direito do espectador exigir algo um pouco melhor? ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em><strong>Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo</strong></em>, continua a onda de fracos <em>blockbusters</em> que anda agora a assolar as salas de Cinema. Não é que o filme seja mau (não é), mas apenas acaba por parecer tão formatado e superficial que, uma hora após ver o filme, o espectador provavelmente já nem se lembrará de nada do que viu. Talvez seja esse o propósito de um blockbuster: ser apenas um aglomerado de efeitos especiais e grandes cenas de acção com uma história banal pelo meio, um filme igual a muitos outros que passam pelas nossas salas. Mas, se assim for, não será direito do espectador exigir algo um pouco melhor? Algo que seja, ao menos, <em>original</em>? Não quero ser mal interpretado; este novo filme de <strong>Mike Newell </strong>é divertido, agradável, e bem melhor que, por exemplo, um <strong><em>Robin Hood</em></strong>. Porque enquanto que o filme de <strong>Ridley Scott</strong> tenta ser algo mais do que aquilo que é, <strong><em>Príncipe da Pérsia</em></strong> não tem qualquer tipo de pretensões: é um filme leve, superficial, sem grandes rasgos de imaginação, com bons efeitos especiais e grandes valores de produção que envolvem uma trama banalíssima, e com algumas boas interpretações lá pelo meio; e nunca quer ser mais que isto.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/Prince-Of-Persia-Movie.jpg" alt="" width="464" height="266" /></p>
<p style="text-align: justify;">Sendo a adaptação do famoso videojogo, o filme mantém aquele ritmo frenético e o esplendor visual que associamos regularmente à arte mais subvalorizada do nosso tempo (a BD demorou a ser considerada a Nona Arte, mas lá chegou; os videojogos também lá hão-de chegar). A história é a de um príncipe (<strong>Jake Gyllenhaal</strong>, com um cabelo que parece o do Miguel Veloso e uns músculos que parecem os do<strong> Stallone</strong>) que tenta salvar o reino do malvado tio traidor (<strong>Ben Kingsley</strong>, óptimo como sempre) que quer usar a Adaga do Tempo, um artefacto que permite viajar atrás no tempo, para se coroar rei. Numa demanda para salvar o reino, o príncipe vai, claro, acompanhado por uma bela princesa (<strong>Gemma Arterton</strong>, lindíssima) que acaba por se revelar essencial para a aventura.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a história em si parece algo que já vimos milhares de vezes, é porque é mesmo. Mas um dos maiores trunfos do filme acaba por ser, exactamente, um certo espírito clássico que o envolve. Aquela simpática troca de insultos que vemos entre a princesa e o príncipe é algo que relembra aqueles velhos filmes de aventura, com <strong>Errol Flynn</strong> e companhia. E o mesmo se pode dizer para as acrobacias do herói, com uma veia obviamente acrobata (isto sim, um verdadeiro piscar de olho aos videojogos&#8230; principalmente os da PS2).  A química entre <strong>Gyllenhaal</strong> e <strong>Arterton</strong> é notável, e a relação entre os dois é realmente uma delícia de se ver. Tanto os dois estão credíveis e carismáticos como heróis de acção, e são uma excelente dupla.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/prince-2.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, as interpretações são todas elas bastante boas. Além deste casal, há que salientar ainda<strong> Ben Kingsley</strong>, com a grande presença de sempre, aqui a interpretar o vilão da trama de forma intimidante e carismática, e o sempre óptimo <strong>Alfred Molina</strong>, que aqui interpreta uma excêntrica personagem, responsável por alguns dos melhores momentos de humor do filme (corridas de avestruz? Cómico e original). Aliás, <strong>Molina</strong> é um excelente actor e que não recebe. infelizmente, o valor devido. Seria óptimo vê-lo mais nas salas de Cinema; com sorte em papéis mais sérios.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mike Newell</strong> faz no geral um bom trabalho, e é sem dúvida um realizador que, apesar de alguns tiques estilísticos francamente irritantes (há ali um ou outro pequeno exagero no uso de câmara lenta&#8230;), sabe filmar bem cenas de acção. Aliás, é um dos poucos realizadores que realmente deixa o espectador ver totalmente o que se passa numa cena de acção. Não tenho nada contra, por exemplo, o estilo de <strong>Paul Greengrass</strong>, mas esse estilo parece hoje em dia tão copiado e exagerado que são raros os bons <em>blockbusters</em> em que o espectador tenha um vislumbre completo do que se passa no ecrã durante uma cena de acção. <strong>Newell</strong> faz isso muito bem, filmando a cena tal como ela é, em vez de simplesmente abanar constantemente a câmara para criar um falso sentimento de entusiasmo. E há que salientar ainda as belas visões que o filme dá: é uma grande produção, e isso muito se reflecte nos cenários. Detalhados e feitos com uma imaginação notável, o espectador quase que se sente transportado para o antigo Império Persa em certos momentos.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/prince_of_persia_the_sands_of_time_.jpg" alt="" width="455" height="272" /></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Príncipe da Pérsia</strong></em> é divertido, é agradável e é superficial. História simples e previsível, e assente num conceito que acaba por dar algumas falhas ao filme: o herói pode voltar atrás no tempo para corrigir qualquer erro cometido. Isto acaba por tirar grande parte da tensão ao filme, já que o espectador sabe que, mesmo que aconteça algo de mal, o príncipe pode simplesmente voltar atrás no tempo e corrigir o que foi feito. Até mesmo numa das cenas mais importantes do filme, quando uma das personagens principais morre de forma supostamente trágica e dramática, o espectador não sente grande preocupação; afinal de contas, há sempre a possibilidade de voltar atrás e mudar o que foi feito. Isto acaba por ajudar à superficialidade de um filme que, ao fim de contas, se esquece pouco depois de se ter saído da sala de Cinema.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo</strong></em> não é um mau filme. É apenas banal. E acaba por desiludir por, em certas alturas, criar situações com enorme potencial que acabam por se transformar em momentos simplesmente banais. O clímax do filme é, talvez, o melhor exemplo disto. Tudo parece ir na direcção certa, e tudo está no lugar para uma excelente cena de acção&#8230; que acaba quando mal começa. Uma miragem, portanto. E há mais momentos assim, infelizmente. Ora, isto é sinal da maior qualidade do filme: nunca quer ser mais do que é. Eis um filme que não se preocupa em ser mais que um simples <em>blockbuster</em>, mero fogo-de-vista. Tem bons momentos de acção, belas visões, e bons momentos de humor. É divertido, não haja dúvida. Mas, ao fim de contas, <strong><em>Príncipe da Pérsia</em></strong> é apenas aquilo que disse um dos críticos do Ain&#8217;t It Cool News (para dar crédito à excelente analogia): algodão doce cinemático.</p>
<p style="text-align: justify;">Ou seja, evapora mal lhe tocamos com a língua.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5.5/10</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ficha Técnica</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Título original: <strong>Prince of Persia: The Sands of Time</strong><br />
Realizado por: <strong>Mike Newell</strong><br />
Argumento: <strong>Boaz Yakin, Doug Miro </strong>e<strong> Carlos Bernard</strong><br />
Elenco: <strong>Jake Gyllenhaal</strong>, <strong>Gemma Arterton</strong>, <strong>Ben Kingsley</strong> e <strong>Alfred Molina</strong>.<br />
Duração: <strong>116minutos</strong>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Robin Hood: A Desinteressante Origem do Herói</title>
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		<pubDate>Thu, 13 May 2010 15:34:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gonçalo Trindade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Cate Blanchett]]></category>
		<category><![CDATA[críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[filme]]></category>
		<category><![CDATA[ridley scott]]></category>
		<category><![CDATA[Robin Hood]]></category>
		<category><![CDATA[Russel Crowe]]></category>
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		<description><![CDATA[Robin Hood não se destaca em rigorosamente nada. Vale, talvez, por algumas boas visões e por ser, tecnicamente falando, um filme exemplar. É mau? Sim. Mas é um mau filme bem feito. Uma grande produção que porporciona algumas boas visões mas que não tem qualquer outro interesse além disso. Com mais de duas horas de duração, o filme torna-se em vários momentos simplesmente aborrecido, com uma trama que não interessa minimamente e personagens sem qualquer tipo de carisma ou personalidade.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Algo anda mal com <strong>Ridley Scott</strong>. O realizador de filmes como <em><strong>Alien</strong></em> ou <em><strong>Blade Runner</strong></em> tem, desde há uns anos para cá, andado numa espiral descendente. Sim, <em><strong>O Corpo da Mentira</strong></em> nem foi mau, mas o que dizer do desastre que foi<em><strong> O Reino dos Céus </strong><span style="font-style: normal">(nota: não vi o Director&#8217;s Cut)</span></em>? Ou do ainda pior <em><strong>Um Ano Especial</strong></em>? Após <em><strong>Gladiador</strong></em> (filme que é, ainda assim, sobrevalorizado), <strong>Scott </strong>tem tido sérios problemas em fazer filmes que consigam ser dignos do seu talento como realizador (ou, pelo menos, do talento que antes demonstrava ter&#8230;). Infelizmente, <strong><em>Robin Hood</em></strong> continua esse trajecto descendente do autor, que aqui assina um épico banal; tecnicamente exemplar mas com personagens e um argumento risível, e com um estilo que parece copiado dos seus filmes anteriores. Efectivamente, <em><strong>Robin Hood</strong></em> acaba por ser mais um <em><strong>O Reino dos Céus </strong></em>que um <em><strong>Gladiador</strong></em>, num filme que não consegue proporcionar nem o bom entretenimento de um bom blockbuster nem o impacto de um filme que seja algo mais. Aqui, <strong>Scott</strong> pareceu querer fazer um filme que fosse várias coisas ao mesmo tempo e que, ao fim de contas, acaba por não ser bom em nenhuma delas.</p>
<p style="text-align: justify">O conceito, ainda assim, é interessante: vemos aqui não o típico <em><strong>Robin Hood</strong></em>, príncipe dos ladrões que rouba aos ricos para dar aos pobres, mas antes um simples arqueiro com tiques de justiceiro que, eventualmente, ascende ao mito que conhecemos. Esqueçam o temível Xerife de Nottingham ou Ricardo Coração de Leão: aqui não há nada disso. <strong>Scott</strong> filmou (mal) as origens do herói,  num filme com um espírito menos aventureiro  e mais <em>à la</em> drama histórico que anteriores adaptações. Aqui há (e isso é de louvar, sem dúvida) um enorme cuidado na recriação do ambiente da época, quer seja nos próprios diálogos e assuntos tratados pelas personagens ou até nos cenários, de forma a realmente tentar transportar o espectador para a época medieval em que o filme decorre. E, nesse aspecto, o filme é exemplar, havendo realmente  grandes visões e grandes momentos de puro prodígio técnico.</p>
<p><img src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/robin.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify">Mas a verdade é que, além de realmente algumas belas visões e da boa recriação de uma época, o filme pouco ou nada tem mais a oferecer. O conceito soa interessante, mas a verdade é que aqui o herói é uma personagem típica e com pouco ou nenhum desenvolvimento. A ideia, tão original, foi usada apenas como desculpa para fazer mais um típico épico, sem grande interesse ou valor. A trama é por si só tão forçada e rebuscada que chega a ser risível; toda aquela backstory da personagem principal aparece simplesmente do nada, e a relação entre <strong>Robin Hood</strong> e <strong>Marion</strong> (que aqui de &#8220;Lady&#8221; nao tem nada) é tão forçada e incoerente que cai no ridículo. Aliás, o filme tem um dos mais idiotas &#8220;I love you&#8221; que se viram nos últimos tempos, numa linha de diálogo cujo efeito é, simplesmente, o de fazer o espectador revirar os olhos.</p>
<p style="text-align: justify">Não há aqui qualquer carisma ou charme por parte de nenhuma das personagens, e tudo parece feito em modo automático. <strong>Russell Crowe</strong> cria uma personagem unidimensional e que não resulta bem nem como herói de acção (e o actor começa a ficar demasiado velho para estas andanças, diga-se de passagem) nem como personagem com a mínima densidade; <strong>Mark Strong </strong>(sim, ele aqui também faz de mau) tem carisma, mas aqui o seu vilão é tão tipico que basta lançar uns olhares malvados e andar com uma cicatriz na cara para estar o trabalho feito; e <strong>Cate Blanchett</strong> tem uma ou duas cenas em que se destaca, mas a sua Marion acaba por pouco ou nada interessar ao espectador. Valha-nos, no meio disto tudo, um <strong>William Hurt</strong> que parece realmente acreditar no que está a fazer e cujo talento é desperdiçado num filme onde os actores parecem lá estar apenas para marcar presença.</p>
<p style="text-align: justify"><img src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/Robin-Hood-Russell-Crowe-and-Cate-B.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify">Como épico em si, o filme nem é sequer assim tão&#8230; épico. Em <em><strong>O Reino dos Céus</strong></em> viram-se maiores e mais espectaculares cenas de acção, e nesse aspecto todo o filme acaba por desiludir um pouco. E raios, custava muito pôr o <strong>Robin Hood</strong> a usar mais o arco e flecha? O homem só chega a usar aquilo duas ou três vezes, e só num desses momentos é que realmente há interesse. Nada que normalmente associaríamos ao herói parece existir neste Robin, que aqui parece apenas mais uma personagem qualquer num mau filme. Como fonte de entretenimento, o filme acaba por falhar.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Robin Hood</strong> não se destaca em rigorosamente nada. Vale, talvez, por algumas boas visões e por ser, tecnicamente falando, um filme exemplar. É mau? Sim. Mas é um mau filme bem feito. Uma grande produção que proporciona algumas boas visões mas que não tem qualquer outro interesse além disso. Com mais de duas horas de duração, o filme torna-se em vários momentos simplesmente aborrecido, com uma trama que não interessa minimamente e personagens sem qualquer tipo de carisma ou personalidade.</p>
<p style="text-align: justify"><img src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/robin-h.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify">É triste verificar que, para todos os efeitos, os dois melhores blocbusters que este ano se viram até agora foram, exactamente, aqueles dois que menos dinheiro fizeram: <strong><em>O Lobisomem</em></strong> e <em><strong>Kick-Ass</strong></em> (atrevo-me, até, a proclamar este último como um dos filmes do ano). O resto que se viu, quer seja neste <strong><em>Robin Hood</em></strong>, em <em><strong>Homem de Ferro 2</strong></em> ou em <em><strong>Green Zone</strong></em>, foram filmes acima de tudo formulaicos, feitos quase em piloto-automático (<strong><em>Homem de Ferro 2</em></strong> consegue escapar a isso acima de tudo pelo desempenho de <strong>Robert Downey Jr.</strong>). <em><strong>Robin Hood</strong></em> parece ter sido feito com o objectivo de render. O conceito de início parece interessante, mas é usado para criar uma trama generalista repleta de personagens sem qualquer tipo de interesse, com <em><strong>Ridley Scot</strong></em>t a filmar sem qualquer tipo de inspiração, por vezes parecendo até copiar-se a si mesmo.</p>
<p style="text-align: justify">Visualmente excelente? Sim, graças a uma fotografia que merece menção e a uma recriação histórica exemplar. Mas, de resto, nada mais oferece. Não pode ser recomendado como simples entretenimento, e muito menos como algo mais. Um filme banal e falhado, portanto.</p>
<p style="text-align: justify"><strong>3/10</strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong><span style="font-weight: normal"><br />
</span></strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Ficha Técnica</strong></p>
<p style="text-align: justify">Título original: <strong>Robin Hood</strong><br />
Realizado por: <strong>Ridley Scott</strong><br />
Argumento: <strong>Brian Helgeland</strong><br />
Elenco: <strong>Russell Crowe</strong>, <strong>Cate Blanchett</strong>, <strong>Mark Strong</strong> e <strong>William Hurt</strong>.<br />
Duração: <strong>140 minutos</strong>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Como Desenhar Um Círculo Perfeito: Técnica Perfeita, Alma Falhada</title>
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		<pubDate>Fri, 07 May 2010 00:11:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gonçalo Trindade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Beatriz Batarda]]></category>
		<category><![CDATA[Como Desenhar um Círculo Perfeito]]></category>
		<category><![CDATA[Estreia]]></category>
		<category><![CDATA[joana de verona]]></category>
		<category><![CDATA[marco martins]]></category>
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		<description><![CDATA[Como Desenhar Um Círculo Perfeito assume-se, desde já, como uma das maiores desilusões do ano; um filme tecnicamente bem executado, mas com uma trama deambulante e um tom que, de tanto querer ser poético, acaba por nada ser além de forçado e vazio. Tem alguns bons planos e boas interpretações, mas falta-lhe o mais importante: um rumo, um propósito. No final, nada fica além de algumas boas imagens.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Após o magnífico<strong><em> Alice</em></strong>, <strong>Marco Martins</strong> foi imediatamente por muitos encarado como uma das grandes novas esperanças para o cinema português. E tal percebe-se, de facto; <strong><em>Alice</em></strong> e realmente um filme de uma beleza esmagadora, onde grandes interpretações se aliam a uma câmara perfeita, criando uma experiência que tinha tanto de visualmente belo como de emocionalmente ressonante. E chega agora (finalmente), esta sua segunda obra, uma história da paixão não-correspondida de um irmão (<strong>Rafael Morais</strong>) pela sua irmã gémea (<strong>Joana de Verona</strong>), sendo o protagonista um jovem perturbado e isolado, que vive atormentado pela sua paixão e por uma família fria e distante (<strong>Beatriz Batarda</strong> é a mãe, <strong>Daniel Duval</strong> é o pai; ambos estão óptimos).</p>
<p><em><strong>Como Desenhar Um Círculo Perfeito</strong></em> assume-se, desde já, como uma das maiores desilusões do ano; um filme tecnicamente bem executado, mas com uma trama deambulante e um tom que, de tanto querer ser poético, acaba por nada ser além de forçado e vazio. Tem alguns bons planos e boas interpretações, mas falta-lhe o mais importante: um rumo, um propósito. No final, nada fica além de algumas boas imagens.</p>
<p><img src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/circulo-3.jpg" alt="" width="460" height="191" /></p>
<p>O grande problema vem do próprio realizador. <strong>Marco Martins</strong> fez aqui um filme profundamente indulgente, de impulsos sem controlo e rumo indefinido. É, apenas, uma sucessão de cenas sem grande ligação entre si, e uma trama quase inexistente. O filme tenta, obviamente, ser um estudo sobre o estado de isolação lírica que passa por qualquer adolescente; mas a obra, de tanto tentar ser lírica, acaba por ser exactamente o contrário. Por vários momentos tudo parece forçado e plástico, e a ligação filme-espectador é facilmente quebrada. A verdade é que o talento dos actores (<strong>Rafael Morais</strong> é uma revelação) é desperdiçado em personagens que apenas&#8230; vagueiam. Pouco ou nenhum desenvolvimento, simples personalidades mal criadas que parecem, no final, simplesmente superficiais e básicas.</p>
<p>Realmente, este é um filme que mete pena por tudo ter sido desperdiçado nos simples impulsos de um realizador. Os actores estão todos eles exemplares, mas as suas personagens pouca densidade ou interesse acabam por ter; a fotografia é francamente boa, mas o seu esplendor acaba por soar superficial perante a fraca ligação que se tem com tudo o que se vê no ecrã. É apenas uma sucessão de cenas com lirismo excessivo e de teor forçado, unidas por uma trama&#8230; quase inexistente. Até a banda-sonora de <strong>Bernardo Sassetti </strong>é infelizmente pouco ou nada usada.</p>
<p><img src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/cinema/circulo-2.jpg" alt="" width="456" height="276" /></p>
<p>Há que dizer que <em><strong>Como Desenhar Um Círculo Perfeito</strong></em> é, para todos os efeitos, um filme único. Certamente muitos verão nele aquilo que eu não vi: um objectivo, uma alma; algo nas cenas e personagens desconexas, na trama inexistente, e no teor que eu achei apenas pseudo-lírico. Espero que sim. Porque eu, infelizmente, apenas vi algo que, ao fim de contas, acabou por ser perfeitamente inútil. O desejo de explorar esse lado negro e distante da adolescência acabou por criar um filme que é ele mesmo também distante e negro; mas essa distância deve-se ao facto de nunca se atrever a aproximar do espectador, e essa negritude fica-se pela triste fotografia e não por uma triste alma.</p>
<p>Tem, para todos os efeitos, momentos de grande beleza e é um filme que cada um verá com os seus próprios olhos. Os meus viram apenas alguns momentos inspirados no meio de imagens sem rumo; com sorte, outros verão algo diferente. Não me atrevo a dizer &#8220;Não vejam&#8221;; atrevo-me apenas a dizer &#8220;eu não gostei&#8221;.</p>
<p><strong>3.5/10</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><strong>Ficha Técnica</strong></p>
<p>Título original: <strong>Como Desenhar Um Círculo Perfeito</strong><br />
Realizado por: <strong>Marco Martins</strong><br />
Argumento: <strong>Marco Martins</strong><br />
Elenco: <strong>Rafael Morais</strong>, <strong>Joana de Verona</strong>, <strong>Beatriz Batarda</strong> e <strong>Daniel Duval</strong>.<br />
Duração: <strong>97 minutos</strong>.</p>
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		<title>Crystal Castles e The Horrors no Coliseu de Lisboa: Festa de tons mistos</title>
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		<pubDate>Thu, 06 May 2010 00:33:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gonçalo Trindade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Coliseu]]></category>
		<category><![CDATA[concerto]]></category>
		<category><![CDATA[Crystal Castles]]></category>
		<category><![CDATA[nokia]]></category>
		<category><![CDATA[The Horrors]]></category>
		<category><![CDATA[youthless]]></category>

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		<description><![CDATA[Após adiamento (devido àquele vulcão de nome impossível de pronunciar), a festa da Nokia Music Store aconteceu finalmente ontem perante um Coliseu com lotação a menos de metade; um público fraco em quantidade mas forte em entusiasmo (talvez até demasiado...) que certamente não terá saído desiludido. Com três bandas a passar pelo palco (Youthless  fizeram primeira parte, The Horrors e Crystal Castles tocaram cada um cerca de uma hora), os concertos variaram em qualidade, mas nenhum deles certamente terá desiludido os presentes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Após adiamento (devido àquele vulcão de nome impossível de pronunciar), a festa da Nokia Music Store aconteceu finalmente ontem perante um Coliseu com lotação a menos de metade; um público fraco em quantidade mas forte em entusiasmo (talvez até demasiado&#8230;) que certamente não terá saído desiludido. Com três bandas a passar pelo palco (<strong>Youthless</strong> fizeram primeira parte,<strong> The Horrors </strong>e <strong>Crystal Castles</strong> tocaram cada um cerca de uma hora), os concertos variaram em qualidade, mas nenhum deles certamente terá desiludido os presentes.</p>
<p>A grande surpresa foi, sem dúvida, <strong>Youthless</strong>; banda portuguesa, que lançaram um EP pela Optimus Discos (está para download grátis no site, portanto), abriram na perfeição as hostilidades com um som directo e energético. Sendo apenas uma dupla (baterista e baixista), as suas melodias básicas mas contagiantes agradam logo o ouvido de qualquer um e a sua recepção foi a prova disso mesmo. Era impossível não sorrir perante o que saía das colunas, com aquelas canções reveladoras de um verdadeiro novo talento na música nacional. A grande falha da actuação (de pouco mais de meia-hora) recai na banda em si, que não sabia bem como interagir com o público e que acabou por vezes em soar demasiado amadora (ridículo quando pediram ao público que fizesse <em>moche</em> na última canção), e no público. Aliás, há que mencionar o público presente no concerto, que reagia de forma completamente exagerada e ridícula perante momentos que tal não mereciam; para quê toda aquela agitação com <strong>Youthless</strong>, se a música não é do género de pedir esse tipo de violência (por alturas, em zonas perto do palco, o cenário parecia um de um concerto de metal&#8230;)? Aliás, o público tinha inúmeros adolescentes (alguns já bêbados&#8230;) que reagiam de forma verdadeira histérica e exagerada ao que não o merecia. O concerto de <strong>The Horrors</strong> (músicas paradas, lentas), por exemplo, teve um entusiasmo que em nada correspondia ao que se ouvia.</p>
<p><img src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/musica/YouthlessLive.jpg" alt="" width="475" height="353" /></p>
<p>Concerto mediano, o desta banda de tom negro, apenas minimamente agradável, que muitas vezes foi desde o morno ao hipnotizante, mas que no geral convenceu. Quem é realmente fã deste género p<em>ós-punk-versão-depressivo </em>certamente terá gostado imenso do concerto e da postura da banda em palco; afinal, se há alguém que realmente parece estar deprimido no meio daquilo tudo, é o vocalista. Soltou-se a meio da actuação, mas no geral não transmitiu qualquer tipo de presença ou energia ao público. A música em si também não pede isso, mas o vocalista pareceu por vezes quase excessivamente&#8230; deprimido; como que a tentar manter uma simples postura pelo simples objectivo de tentar criar uma postura (conheci a banda antes do concerto e, já aí, ele se manteve a um canto sem qualquer tipo de interacção), ignorando o facto de, para todos os efeitos, já termos visto isto milhares de vezes antes. Mas o seu estilo e a sua postura são coerentes, e as canções lentas conseguiram realmente verdadeiros momentos hipnotizantes. A setlist, no entanto, pecou por ter passado apenas por temas do segundo álbum da banda, <strong><em>Primary Colours</em></strong>, álbum esse menos energético que o anterior. Se é verdade que algumas músicas (<em>Scarlett Fields,</em> por exemplo, é lindíssima) realmente criam um ambiente notável, outras acabam por se tornar demasiado paradas para envolver o espectador. O concerto, ainda assim, convenceu no geral e, pelo que se viu, os fãs não terão ficado desiludidos.</p>
<p><img src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/musica/HorrorsR702.jpg" alt="" width="487" height="274" /></p>
<p><strong>Crystal Castles</strong> (dupla canadiana com o segundo álbum a sair em breve) eram cabeças-de-cartaz e eram, efectivamente, a banda que o público mais desejava ver. E deram um espectáculo ao qual nada há a tecer senão elogios. De um primor visual e uma energia estonteante, terá sido certamente para muitos um dos concertos do ano até agora, e valeu por si só toda a noite. Atenção: não gosto sequer da banda em álbum, nem gostei do seu concerto no ano passado, mas este foi realmente um excelente espectáculo; uma festa do início ao fim, onde é impossível estar parado perante aqueles ritmos abstractos mas que nos invadem, e com um espectáculo visual encenado na perfeição. O início, por exemplo, com a bateria na escuridão do Coliseu e a forte luz <em>strobe</em>, até culminar na aparição de <strong>Alice</strong> <strong>Glass</strong> perante imparáveis <em>flashes</em>, foi magnífico. <strong>Glass</strong>, vocalista da banda (ainda que aquilo, realmente, não seja &#8220;cantar&#8230;) tem um nome irónico; pode ser baixa e franzina, mas a sua energia e a sua presença em palco é fenomenal, e nada tem de frágil. Por várias vezes foi ao público, cantou do cimo da bateria e de cima de colunas, e até esmurrou um espectador (por acaso até já me disseram que foi mais que um&#8230;) que se atreveu a tocar-lhe de forma atrevida no cabelo. Imparável e espectacular, sem dúvida. E há que elogiar <strong>Ethan Kath</strong>, a outra metade do grupo (que, aliás, aqui se fez acompanhar de um baterista), com os seus notáveis dotes de produtor, que se mantém calmamente no seu canto a produzir todos aqueles magníficos sons.</p>
<p><img src="http://i770.photobucket.com/albums/xx348/espalhafactos/musica/crystalcastleslive7.jpg" alt="" width="480" height="319" /></p>
<p>As músicas de <strong>Crystal Castles </strong>(quer se goste ou não, são das bandas da electrónica mais interessantes do momento) em disco podem não agradar a todos, mas ao vivo adquirem uma estatura épica (que vai desde o violento ao belo&#8230; veja-se a já antiga <em>Crimewave</em> ou a nova<em> Celestica</em>, que ao vivo são verdadeiras experiências). Ver <strong>Alice Glass </strong>a gritar aquelas palavras indecifráveis, ouvir aqueles sons de outro mundo a invadir-nos por completo&#8230; é impossível ao espectador ficar imóvel. E, claro, há que voltar a referir a vertente visual; perfeito jogo entre a luz e a escuridão, que criavam tensão e visões realmente memoráveis; efeitos minimalistas mas trabalhados da melhor forma possível (aqueles pilares de luz, por exemplo, criavam realmente visões memoráveis), que mostram bem que não é preciso ter camiões de material para criar algo original e impressionante. Não foi, afinal de contas, um simples concerto; foi uma experiência.</p>
<p>Foi, portanto, uma bela festa de aniversário. Mais vivida em <strong>Crystal Castles</strong>, que realmente se confirmaram aqui como uma das mais interessantes bandas ao vivo, mas ainda assim sentida tanto em <strong>Youthless</strong> (mesmo tendo tocado pouco tempo) como em <strong>The Horrors</strong>. Foi pena ver o Coliseu com pouco público (ainda que, na plateia, isso nunca se note assim tanto), mas quem foi não terá saído desiludido. Quer seja com os ritmos fúnebres dos <strong>The Horrors </strong>ou com a energia estonteante de <strong>Crystal Castles</strong>, a noite de tom misto viveu-se sempre bem e sempre recomendável. E aquele concerto da dupla canadiana há-de realmente ser, para muitos, um dos concertos do ano. Notável.</p>
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