Um dia como… espectador do 5 Para a Meia-Noite

Quando somos pequenos, todo o mundo inserido na caixinha mágica da nossa sala ou do nosso quarto parece demasiado fantástico e utópico para ser real, para pertencer ao mesmo mundo no qual vivemos. As pessoas que o compõem representam, aos nossos olhos, seres absolutamente extraordinários, intocáveis, e criamos à sua volta uma imagem de singularidade que os superioriza em relação a nós e ao nosso mundo terra-a-terra. Quando crescemos, este sentimento vai-se desvanecendo, a experiência e a racionalidade roubam alguma da inocência de crianças, mas ainda assim os mundos parecem distintos e o contacto entre eles algo improvável.
No entanto, quando nos tornamos espectadores e fãs do programa de late night da RTP2, 5 Para a Meia Noite, e conseguimos até assistir a uma emissão no próprio estúdio onde este é emitido para todo o país e arredores, a nossa visão do mundo mágico da televisão altera-se, assemelhando-se a uma mistura entre o sonho e a realidade. Por um lado, mostra-nos que não é um mundo assim tão diferente do nosso. Aquelas são pessoas reais, de carne e osso, com os mesmos defeitos que todos nós. Por outro, não deixamos de nos sentir especiais por conviver com aquelas pessoas, mas devido ao espírito de humor, carinho, simpatia e amizade que caracteriza o ambiente e que é simplesmente maravilhoso.

Numa bela sexta-feira de inverno, o apresentador é, como já se sabe, Luís Filipe Borges aka Boinas. É ele que nos recebe à porta do Estúdio 1 com o maior sorriso e a boina já preparada para o directo. Fuma o seu último cigarro antes da hora H, cumprimenta as pessoas que vão chegando e conversa com o pessoal da produção que se junta à entrada do edifício, entre eles o próprio realizador do programa, André Ferreira, o maior humorista espontâneo que alguma vez iremos conhecer. Também a querida e já famosa D. Helena se dirige aos espectadores e conversa sobre a forma como a sua família reage às suas participações no programa, nomeadamente quando profere a expressão que a celebrizou, “alevanta-te cabrão“. Não há preconceitos, não há pretensões, há simplesmente boa gente a predispor-se para conversar sobre tudo e nada, para tirar fotografias com os presentes e rir com algumas piadas que vão surgindo.
O estúdio é ainda mais pequeno do que o anterior e o espaço reservado ao público é igualmente muito reduzido, mas cabe-nos um bom lugar central, apesar de se misturar com os fios das câmaras e os rapazes que tentam filmar o programa. Não há melhor final de dia e começo de outro (em termos abstractos, já que a emissão começa à meia-noite e meia) do que uma noite passada a rir com um dos melhores programas da actualidade (ainda por mais quando este oferece caipirinhas a toda a gente durante o directo). A convidada é Roberta Medina, jurada do Ídolos e produtora de eventos como o Rock in Rio, o que anima certamente a emissão desta sexta-feira. Já o actor António Raminhos, no seu porte desastrado já habitual, protagoniza um dos momentos mais altos da noite, cantando o Atirei o Pau ao Gato ao som de músicas conhecidas, para além da promo que o público é convidado a gravar no final do programa ao lado do apresentador (e que passará na semana seguinte).
Mas o fim da emissão está longe de ser o final da noite, e daí a vantagem de assistir ao vivo (para além de se aparecer na televisão e se poder aceder aos segredos mais obscuros da produção). Após o apagar das câmaras e das luzes, fica um estúdio vazio, livre para mexer e remexer e tirar fotografias ao gosto do freguês. E fica um hall de entrada livre para conversas com gente da produção, como a D. Helena e o Betão, produtor brasileiro que também já se tornou famoso devido ao ambiente informal do programa. Mais: fica ainda a possibilidade, aproveitada por alguns, para conhecer e trocar umas palavrinhas com a convidada do apresentador, que se mostra acessível e amável.

Repito: não há pretensões, não há qualquer formalidade, não há qualquer necessidade do nervoso miudinho e do medo de enfrentar um mundo diferente porque, ao fim e ao cabo, os mundos são mais semelhantes do que aparentam por fora. Ali há o ambiente necessário para se fazer um bom programa, que não tem necessariamente nada de excepcional (até porque varia de acordo com apresentadores e convidados) mas que cativa pela informalidade e pela forma como recebe e integra o público, sobretudo quando se assiste em estúdio. Mais do que simples conhecimentos, há amizades que se podem construir a partir daquele local e daquela situação. Ser espectador do 5 Para a Meia-Noite por um dia, ou por mais, é compreender o mundo da televisão e do humor por dentro, um mundo que, pelo menos naquele estúdio, mantém a fantasia e se integra no realismo do mundo que conhecemos à partida. É uma experiência que todos deveríamos ter, quanto mais não seja para podermos afirmar que não gostamos do programa. Contudo, dificilmente se sairá de lá com a mesma opinião.
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Tweets that mention Espalha-Factos » Blog Archive » Um dia como… espectador do 5 Para a Meia-Noite -- Topsy.com a Seg, 25th Jan 2010 3:23
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