Super FM: O regresso ao FM mais aguardado do ano
Sete dias depois do ressurgimento mais aguardado do ano no éter, a Super FM, é altura de conhecer a sua história, cheia de aventuras, de momentos bons, e de momentos maus,e ainda uma análise da sua emissão. A Super FM surgiu na 2ª Feira dia 21 de Setembro às 21 horas e 9 minutos, ao fim de 11 anos de silêncio.
As origens da rádio que dá “força total à música nacional”, e que ainda hoje afirma convictamente “a nova geração em 1º lugar” remontam a 1991, quando o processo de legalização das rádios piratas estava no auge. A rádio consignada à cidade do Montijo, inicialmente denominada “98”, passou a chamar-se Super FM. Desde o início se verificou que esta rádio tinha potencial para ir longe, não pela música, não pelos animadores, não por cobrir a capital, mas estes factores reunidos levaram a que a Super se tornasse um fenómeno em Lisboa. Ainda assim o percurso desta estação foi bastante conturbado. Teve dois períodos distintos de emissões: de 1991 a 1994, e de 1995 a 1998, e transmitiu em 3 frequências: no primeiro período em 106.2 FM, no segundo começou em 96.2 FM e terminou em 1998 a emitir em 95.3 FM. Foi no segundo período que a Super FM se destacou ainda mais, ao juntar nomes na animação com uma carreira promissora, exemplos disso a Ana Isabel Arroja que hoje faz parte da equipa da Rádio Comercial, e programas que até então não haviam sido experimentados em rádio, ao abrangerem estilos musicais como o Heavy Metal ou Hard Rock, e nomes originais como o famoso “Merda na Madrugada”, ou o “Força Total à Música Nacional” que aliás acabou por se tornar um dos lemas da rádio.
Em Junho de 1998 era a rádio mais ouvida da grande Lisboa, tinha uma legião de ouvintes que atravessava fronteiras dentro de Portugal. Com apenas uma frequência que cobria a capital e pouco mais, alcançava ainda assim um grande número de ouvintes e acima de tudo, envolvia-se nos próprios ouvintes, era a companhia destes, passava as músicas que mais nenhuma passava, interagia com as pessoas como mais nenhuma a fazia, a própria forma de fazer rádio era já na época um caso de estúdio ao preferirem a emissão totalmente em directo e em improviso, e acima de tudo, com escolhas musicais do próprio locutor, como se houvesse um programa, ou neste caso vários, programas de autor durante 24 horas de emissão.

Concertos de bandas míticas tiveram o "carimbo" da Super FM nos anos 90
A Super FM era livre, e provavelmente terá sido essa liberdade que de alguma forma acabou por condenar a continuação da rádio no éter da grande Lisboa, Assim no dia 30 de Junho, a Super FM encerrou as emissões nos 95.3, e conseguiu a proeza de juntar uma multidão, que ultrapassou as centenas à porta dos estúdios da rádio nas Amoreiras, triste e revoltada, ainda que sem compreenderem o porquê de tal decisão de acabar com, segundo muitos ouvintes, a melhor rádio de sempre. Provavelmente por causa deste final abrupto, o facto de nem a equipa, nem os ouvintes terem compreendido o que ditou o encerramento da rádio “Sempre Unida Por Esta Razão”, o sonho de um dia a Super FM regressar na internet ou como seria desejável, em FM, permaneceu. Embora a Super tenha acabado, a equipa da rádio, direcção, e locutores nunca perdeu o contacto. Diversos encontros foram feitos, sempre com tema de conversa, a rádio que viram e ajudaram a crecer.
11 anos passaram, muita coisa mudou, mas o panorama radiofónico, esse, manteve-se semelhante a 1998. Desde o ano da Expo 98, nenhuma outra rádio da grande Lisboa, ou em todo o país, à excepção da Voxx, entretanto extinta também, e a Antena 3, no que aos estilosmusicais, diz respeito, se assemelhou à Super FM, e a verdade é que Super FM apenas havia uma, como quem conviveu com a rádio referia peremptoriamente. No início de 2009 surgiu a oportunidade de voltar a dar vida a este projecto, de colocar a Super de novo no ar em FM. Por esta altura já emitia na internet, emissão lançada no 4º trimestre de 2008. Uma cooperativa de radiodifusão sediada em Alcochete pretendia dar uma vida nova ao seu projecto radiofónico, até então denominado Eco FM, que emitia nos 104.8 FM para a grande Lisboa. A Sat FM, empresa de serviços radiofónicos, gerida por Rui Santos, colaborador na Super FM até ao seu encerramento, foi a escolhida para trabalhar num novo rumo para a rádio de Alcochete. Estava assim dado o mote para o relançamento da Super FM. O processo foi tratado no segredo dos Deuses, no entanto, o primeiro sinal de que algo se estava a preparar deu-se em Abril, quando ocorreu uma mudança repentina do cariz musical da rádio, para se assemelhar mais ao estilo que a Super habituou os ouvintes durante a década de 90, maioritariamente Rock, algum Pop e muitos êxitos dos anos 80, intercalados com jingles a denominar apenas a frequência.
Apenas no final de Julho se tornou oficial que o novo projecto para a Eco FM seria a Super, quando a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) deliberou favoravelmente ao pedido da Alcojor, cooperativa de radiodifusão de Alcochete, a alteração de denominação da estação do antigo para o novo nome. Mas até entrar no ar com a designação da rádio “Sempre Unida Por Esta Razão” foram precisos mais dois meses até ficar tudo nos conformes, as contratações para a animação, produção, departamento de informação e publicidade. A equipa é constituída maioritariamente por nomes que já faziam parte da Super FM dos anos 90, mas juntaram-se outros que se destacaram na rádio ao longo de 11 anos, tanto que três nomes, João Saavedra e Marcos Pinto e Sílvia Baptista vieram da Média Capital para abraçar este novo projecto. O dia 21 de Setembro ficou marcado pelo tão aguardado relançamento da Super FM, às 21 horas e 9 minutos. Uma hora antes foi recordada a última hora de emissão no dia 30 de Junho de 1998, as chamadas dos ouvintes, os directos com a multidão à porta das Amoreiras, local dos estúdios na época, as músicas, todos tiveram a oportunidade de recordar esse momento. E à hora certa, depois de uma introdução ao percurso da rádio desde 1991 até Segunda Feira dia 21, feita pelo director Rui Santos, inicou-se um novo capítulo para a Super FM. A rádio estava novamente no ar em Lisboa, 11 anos depois de ter desaparecido do éter. As reacções não podiam ser mais positivas: Mensagens de apoio de nomes sonantes da música nacional como Zé Pedro dos Xutos e Pontapés, ou ainda Fernando Ribeiro dos Moonspell, gravadas em video (que podem conferir em baixo), dezenas de chamadas para a estação de ouvintes que já seguiam a Super em 1998, ou ainda novos ouvintes, que como a direcção fez logo questão de referir, que a Super FM é uma rádio para aqueles que cresceram com a rádio, mas a nova geração também terá o seu devido destaque, como sempre foi o lema da rádio.
A emissão da Super FM, agora em 104.8 desde o primeiro momento começou a diferenciar-se do normal que se costuma ouvir. Em primeiro lugar, o facto de ser totalmente em directo durante todo o dia. O improviso, o não haver nada escrito em folha alguma, a irreverência e o à vontade dos animadores para com os microfones são as grandes bandeiras da rádio. O facto da Super não seguir playlists, por vezes as músicas são escolhidas na musiteca no momento, e não raras as vezes durante a emissão, são os próprios ouvintes que através de email, ou telefone, podem pedir uma música e interagir com o animador. Estas características todas acabam por fazer da Super FM uma rádio especial, uma rádio que se destaca do comum no éter, e que há 11 anos em 1998 já era um êxito seguindo esta linha, e como se tem vindo a comprovar pelo número de ouvintes na internet e das participações em directo dos mesmos na emissão, através dos telefones disponibilizados, continua a ser um formato de sucesso.
Como seria de esperar, os primeiros tempos servem também para limar algumas arestas, por isso não deixa de ser normal, por um exemplo, um jingle que não entra, um microfone que não é activado, ou pelo contrário, um microfone que era suposto estar activado, todas estas situações acontecem, são normais de uma emissão totalmente em directo, e é aqui que entra novamente a magia de uma emissão que é feita por pessoas para pessoas, ainda que com recurso às novas tecnologias, mas ao verificarmos este tipo de falhas, estamos certos que há mesmo alguém do outro lado a falar para nós, que não desmoraliza, e que tal não irá acontecer da próxima. Os próprios animadores demoram um pouco a acertar o modo de lidar e se apresentar para com o público-alvo da rádio. Exemplos disso são Sílvia Mendes, que conduz as tardes, na sua primeira experiência em rádio, e Marcos Pinto que veio directamente do Rádio Clube Português, para abraçar este novo projecto da margem sul. Marcos Pinto que juntamente com Lara Afonso, apresentam o programa da manhã “SXL”, caracterizado pela boa disposição logo pela manhã. Depois há ainda os que nasceram para este formato, caso de João Saavedra, responsável pelo “Regresso a Casa”, recheado com música, notícias regionais, nacionais e internacionais, o estado do tempo e o trânsito, e o próprio director Rui Santos, que possui o seu próprio programa de apresentação das mais recentes novidades musicais, que em apenas uma semana de emissões, surpreenderam tudo e todos com a grande capacidade de comunicação e interacção. À noite, quem comanda a emissão dos 104.8 é Sílvia Baptista, conhecida por ter estado no ar no Rádio Clube Português apenas durante uma semana, também não desilude de forma alguma. O formato do programa é de entrevistas com participação activa dos ouvintes em antena. A própria emissão diária possui também algumas características únicas. O topo da hora não é ocupado com blocos noticiosos ao contrário da maioria das estações, estas são transmitidas sempre aos 25 e 50 minutos de cada hora. O primeiro bloco fica reservado aos acontecimentos do país e do mundo, e o segundo, é totalmente dedicado à informação regional, maioritariamente da margem sul. As intervenções dos animadores são feitas a qualquer momento, entre músicas, não existindo uma sequência lógica ao longo da hora. A publicidade não tem tido destaque até agora, o que acaba por ser compreensível. Neste momento a Super FM está a dar a conhecer a sua programação, a sua forma de se apresentar ao ouvinte, e é de facto bastante positivo que nesta altura tão importante na vida de uma estação de rádio, possa dar ao luxo de abdicar da publicidade. Os programas de autor que estão a ser apresentados ao longo da emissão, alguns deles são os mesmos da Super de 1998, outros são completamente novos mas que não se desviam muito da programação, pelo contrário, complementam-na.

Vida nova para a Super FM com nova frequência, novo jingle e logótipo renovado
A nova Super FM, pode ser comparada com uma criança, que no início, começa a dar os primeiros passos, embora tenha claro algumas quedas, mas que com o passar das horas, dias, meses, também conseguirá levantar-se e caminhar cada vez melhor e no futuro correr até. Por ser um produto que embora não seja novo, longe disso, foi um produto de grande sucesso nos anos 90, é um produto que continua a fazer sucesso e tem bastante potencial para crescer, no entanto é um produto cujos ouvintes não estão habituados, fruto da constante normalidade no panorama radiofónico lisboeta, que acaba por ser um espelho do que se passa no resto do país, e por isso é preciso dar tempo ao tempo, ou seja, não se pode pedir a uma rádio com apenas 7 dias de emissão, o perfeccionismo de uma que esteja no ar há anos.
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Tweets that mention Espalha Factos » Blog Archive » Super FM: O regresso ao FM mais aguardado do ano -- Topsy.com a Qui, 1st Out 2009 23:41
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Ana a Qua, 11th Nov 2009 15:04
Apenas um reparo: a Silvia Mendes fez rádio durante 5 anos. Ela trabalhou na Rádio Mais, primeiro como jornalista e depois como animadora.